Forks Planet

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    ´Lápis nº2' - PT

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    Annia Cullen
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    Mensagem por Annia Cullen em Dom Out 17, 2010 2:59 pm

    Deixo bem claro que a fanfic não é minha, mas uma amiga pediu para postá-la. Portanto tenho autorização para a postar, responder aos comentários e fazer alterações.

    Capítulo 1
    Seja lá o que for, todo mundo tem um objeto que dá mais confiança: um par de chuteiras para disputar a final do campeonato, uma roupa íntima da sorte para o primeiro encontro, uma blusa confortável para o primeiro dia numa nova escola.
    Pois bem, eu só faço provas com um lápis nº2. E não um lápis nº2 qualquer: ele tem que ser um daqueles amarelos com borrachinha cor de rosa na ponta, em que tem apenas um 2 escrito. Igual a de desenho animado, sabe? Comecei a fazer isso na 5ª série, e continuo até hoje, meu penúltimo ano de escola.
    A razão para essa minha mania, e sobretudo para minha exigência em relação ao tipo de lápis, é um pouco embaraçosa. Era minha primeira prova de Biologia da 5ª Série (eu simplesmente não consigo entender Biologia!), e eu não conseguia achar um lápis. A prova estava quase começando e eu estava em pânico quando o menino atrás de mim me cutucou. Eu me virei para ver o que ele queria e ele me entregou um lápis, sorrindo, sem dizer nada.
    O que eu posso dizer? Sammy Butcher (esse era o nome do menino) foi minha primeira paixonite, aquela coisinha boba que se sente aos 11 anos. Eu não queria gastar o lápis que ele me dera, mas não queria deixá-lo apodrecendo na gaveta, então decidi usá-lo só durante as provas. Ele me deu sorte em relação à escola - minhas notas subiram. Já em relação aos meninos... bom, aquele sorriso foi o único que consegui de Sammy.
    Não que isso importasse. Eu tinha tudo de que eu precisava: minhas notas eram exemplares, minha melhor amiga, Alice Brandon, era a criatura mais fofa do mundo, e meu pai, Charlie, era o melhor pai que uma adolescente pode ter. Eu não tinha nada do que reclamar, aliás, quase nada. Eu tinha minhas preocupações.
    Nesse momento, a maior delas era, ironicamente, não encontrar um lápis para fazer a prova, de novo de Biologia. Era inacreditável que logo eu ia esquecer um lápis, e eu fui ficando cada vez mais irritada à medida que revirava inutilmente minha mochila.
    Eu estava a ponto de estourar quando senti um toque nas costas. Virei-me para trás para ver o que o infeliz queria, e me deparei com um cara me estendendo um lápis. Não um amarelinho bonitinho com borrachinha na ponta: esse era preto, sem borracha e com muitas coisas escritas.
    Mesmo assim, a familiaridade da cena me assustou. Era prova da mesma matéria. Eu estava na mesma situação. E quando eu vi o rosto do cara e peguei o lápis com os dedos trêmulos, tive a mesma sensação de que correra uma maratona e meu coração ainda não tinha voltado ao normal.

    brilha*

    - Vou repetir em Biologia esse ano. - reclamei com Alice na hora do almoço. Eu ainda estava estupefata com a prova e com a outra sensação.
    Alice me respondeu com um olhar de descrença.
    - Claro. Você vai repetir no mesmo dia em que eu começar um protesto contra a Prada ou a Dolce & Gabanna.
    Alice era completamente shopaholic. Não tinha outra palavra para descrevê-la. O dia mais triste da minha vida foi provavelmente quando Renee (minha mãe) me ligou para me dar A Notícia. O da vida de Alice foi quando aquela liquidação de 70% de uma loja no shopping foi cancelada. Não que ela fosse fútil: ela era apenas otimista.
    Revirei os olhos com a fala dela e me sentei à nossa mesa ao seu lado.
    - Você tem o poder do lápis nº2 ao seu lado, Bella. Ele nunca vai te deixar repetir.
    Ignorei o sarcasmo na voz de Alice quando a respondi.
    - Não tenho não. Tive que pegar um lápis emprestado hoje porque estava sem o meu.
    Ela fez uma careta exagerada de surpresa.
    - O quê? Isabella Swan não tinha um lápis para fazer a prova? O céu vai cair!
    - Não é engraçado, Mary. - respondi com uma careta. - Eu posso tomar bomba, sabia?
    - Mary é a sua avó. - o nome completo dela era Mary Alice Brandon, mas, a menos que você quisesse tirá-la do sério (e acredite, você não queria), você iria ignorar o Mary.
    - Isabella é a sua.
    Alice ignorou meu protesto.
    - A questão é, Bella - ela mordeu um pedaço da maçã que segurava e fez uma pausa para mastigar -, que sempre existem os trabalhos extras. E, claro, os nerds para fazê-los para nós.
    - Eu não conheço nenhum nerd, fora eu mesma. - apontei, com as sobrancelhas arqueadas. Ela abanou a mão.
    - Você não é um nerd, nerds não se vestem tão bem.
    - Foi você quem escolheu minhas roupas, Alice! - os olhos dela brilharam quando eu disse isso.
    Revirei os olhos e ela apontou para Erik Yorkie, um cara de cabelo oleoso que sentava na minha frente em Literatura.
    - Aquele é um ótimo nerd. Oi, Erik!
    Antes que eu pudesse impedi-la, ela já havia acenado para o cara, e ele já estava na nossa mesa, sorrindo de orelha a orelha.
    - Oi, Alice. Você está radiante hoje, como sempre.
    - Eu sei. E você está... - olhei do rosto de Alice para a camiseta xadrez de Erik, enfiada dentro das calças. -...bem você hoje.
    - Eu terminei o trabalho ontem à noite, você quer que eu te entregue agora ou depois?
    Ah, então agora tudo fazia sentido. Revirei os olhos e me concentrei em minha comida.
    - Depois, não quero engordurar nada. - ela pôs a mão no braço de Erik - Te vejo na aula.
    - Até.
    Erik se afastou e eu olhei para Alice com olhos acusadores.
    - Que foi? Estou só ilustrando o que eu falei!
    - Jasper não vai gostar disso. - lembrei a ela.
    Jasper Hale era o namorado firme de Alice desde... sei lá, sempre. Os dois eram bonitinhos juntos, mas só depois que eu mostrei isso para eles.
    Ela abanou a mão de novo.
    - Quem me ensinou isso foi Rose, então ele que se entenda com ela.
    Rosalie era a irmã gêmea de Jasper, e uma das mulheres mais bonitas do mundo. Eu tinha pouco contato com ela, mas sabia que ela dividia o gosto por compras e moda com Alice. Elas pareciam se dar bem.
    - Ei, falando nisso! - Alice deu um tapinha na cabeça - Seu problema com Biologia está resolvido.
    - Alice, eu não vou abusar do coitado do Erik. - sacudi a cabeça negativamente, e ela me olhou com impaciência.
    - Eu sei. Você é boazinha demais para isso. - ela disse a palavra com desaprovação. - Mas Emmett, o namorado de Rosalie, joga futebol com um cara que é um gênio em Biologia. Ele podia te ajudar.
    - Não sei, não. - respondi, em duvida, e ela rolou os olhos nas órbitas. - Eu não conheço o cara.
    - Não seja por isso! - Alice levantou de um salto e veio para o meu lado, esquadrinhando o refeitório com os olhos. - É aquele ali. O nome dele é Edward Cullen.
    Eu segui a direção em que ela apontou com os olhos e meu queixo caiu quando eu o vi: era exatamente o cara do lápis.

    By: 'Paulinha


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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Katinha Pattinson em Seg Out 18, 2010 1:21 am

    Adorei a fic Annia, sou uma fã das fics. espero anciosa pelo 2º Capitulo.
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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Annia Cullen em Seg Out 18, 2010 11:00 pm

    Capítulo 2

    - Deixa eu ver se eu entendi. Então nós vamos a uma partida de futebol do namorado da irmã do seu namorado, para na verdade observarmos o amigo dele?
    - Esse é o plano. Agora pára de enrolar e entra nessa cabine.
    Alice me empurrou para dentro e me entregou a blusa. Praticamente toda sexta ela me arrastava para o shopping e me fazia passar horas experimentando roupas que eu nunca iria usar na vida. Eu me vingava fazendo-a olhar todas as estantes da livraria perto do colégio.
    Tranquei a porta da cabine e comecei a trocar de blusa.
    - Alice, realmente não é uma boa idéia. Eu nunca nem falei com Emmett.
    - Essa é uma ótima oportunidade para falar. - ela respondeu através da porta. - Sério, Bella, você tem que ser mais sociável.
    Enfiei a blusa pela cabeça, ajeitei no corpo e abri a porta da cabine.
    - Não faço questão de sociabilidade. E não gostei da blusa.
    - Você não tem que gostar da blusa, a blusa tem que gostar de você. - ela respondeu, com os olhos brilhando. - E essa definitivamente gostou. Nós vamos levar.
    - Eu só tenho dinheiro para o lanche. - argumentei.
    - Presente de aniversário.
    - Meu aniversário é em setembro. Estamos em maio.
    - Então eu não te dou nada no seu aniversário.
    Era impossível discutir com Alice. Suspirando, voltei para dentro da cabine e coloquei a minha própria blusa, e fomos para a fila interminável do caixa.
    - Só por curiosidade, quanto custa essa blusa mesmo? - perguntei, quando ela tirou o cartão de crédito da carteira. Em geral, ela só usava o cartão quando era caro demais para a mesada dela.
    Ela não me respondeu, e eu tive que olhar no monitor do caixa para saber a resposta.
    - Alice! - ela se encolheu com o meu tom "não-acredito-que-você-vai-gastar-isso-tudo-com-roupas".
    - Mas, mas, mas... é Colcci! E você precisa de alguma roupa descente para ir no jogo.
    - Eu não vou, bota isso na sua cabeça!
    - Vai sim.
    - Não. Vou. - finquei pé. Eu tinha mais coisa para fazer no meu sábado. Tipo estudar Biologia.
    - Bella! Vai, por favor! Vai ser legal!
    Ah, não. Ela estava fazendo aquela carinha. Aqueles olhos grandes e brilhantes. Aqueles lábios inclinando-se para baixo.
    - Pára com essa cara, Alice, não é justo! - desviei os olhos do rosto dela para não ter que ver.
    - Vai, Bella! Por favor! - não adiantava, o tom de choro dela também era persuasivo. Suspirei e olhei para ela de novo.
    - Você sabe que essa cara não vale.
    Sua expressão triste se desfez e ela sorriu, sabendo que tinha ganhado essa.

    Então eu acabei indo ao jogo no sábado. Charlie ficou meio confuso com a história do "namorado da irmã do namorado", mas assim que eu mencionei Alice ele relaxou. Meu pai simplesmente adorava Alice.
    Ela e Jasper me deram carona até o jogo. Ia ser em um parque a alguns quarteirões da escola de Emmett, que ficava muito longe da minha casa, e embora eu tenha suspirado de impaciência e reclamado contra a chantagem de Alice, a verdade é que eu estava muito empolgada para ir.
    Quer dizer, Edward, o cara do lápis, iria estar lá e, mesmo que eu preferisse enfiar farpas de bambu debaixo das minhas unhas a admitir para Alice, esse era um bom motivo para ir. Lembrei da sensação formigante nos dedos quando peguei o lápis que ele me oferecia, e me dei um tapinha leve de censura na testa.
    Era bem típico de mim, mesmo. Eu quase nunca me apaixonava, mas, quando acontecia, era por alguma coisinha boba assim. Bem típico de 5ª Série. Alice dizia que com essa história de "ritual do lápis da sorte" eu nunca chegara aos dezessete, e eu concordava com ela: eu ainda era uma bobinha de onze anos.
    - E eu não estaria aqui se não fosse pela sua chantagem emocional, ouviu, Alice? - terminei uma de minhas longas reclamações, apenas para me distrair do palpitar acelerado do meu coração. Alice resmungou do banco da frente.
    - Você já disse isso três vezes. Tem alguma coisa que você quer esconder? - pelo retrovisor, eu pude ver seus olhos se estreitando em desconfiança, e dei de ombros. Parei de falar, mas ela continuou me encarando.
    O parque não tinha estacionamento interno, então Jasper estacionou na porta e nós fomos caminhando. Eu observei ele e Alice enquanto andávamos. Eles eram realmente muito fofos juntos. Jasper estava com a mão na cintura de Alice e praticamente de joelhos para que ela pudesse apoiar a cabeça em seu ombro, e ela abraçara seu tronco.
    Era difícil acreditar que eles se odiavam antes.
    - Ei, Jasper! - uma voz chamou quando chegamos ao campo. Todos nós viramos a cabeça na direção da voz e lá estava Emmett. Cara, ele era muito grande. Ainda mais com aqueles protetores de ombro para jogar futebol. Acho que eu nunca iria me acostumar ao tamanho dele.
    - Ae, chegou o cara que faltava pra completar nosso time! - quando Emmett disse "nosso", ele chegou para o lado para podermos ver o resto do time. Logo atrás dele estava outro menino, também enorme por causa dos protetores de ombro. Apesar de seu rosto estar parcialmente escondido pelo capacete, eu não tinha dúvidas de que era Edward.
    Nosso olhar se encontrou por um momento e ele desviou os olhos. Ele não pareceu me reconhecer, mas eu não consegui me impedir de corar olhando para ele.
    O olhar de Alice foi tão intenso que eu consegui senti-lo na minha nuca.
    - Lice, se importa se eu for jogar? - Jasper perguntou, e Alice sorriu para ele.
    - Não, Jazz, pode ir.
    Ele beijou os lábios dela rapidamente e foi com Emmett e Edward para o vestiário.
    - Jasper é fofo. - comentei, tentando distrair Alice. Ela virou o rosto para mim com os olhos faiscando.
    - O que você está me escondendo?
    Corei ainda mais do que antes.
    - Nada. - ela ergueu uma sobrancelha e eu suspirei. Porcaria de fluxo sanguíneo.
    - Tá bom, tá bom. Lembra do Sammy?
    Ela bufou e me olhou com impaciência.
    - Tá, pergunta idiota. Eu o conheci por causa de um lápis, certo?
    - Certo. E...?
    - E que... - achei que não fosse possível, mas meu rosto conseguiu ficar mais vermelho enquanto eu tentava falar. - Eu troquei de lápis sexta, lembra?
    Alice me olhou sem entender, até que a ficha caiu. Seus olhos voaram para a porta do vestiário por onde Edward tinha entrado e então na minha direção. Eu assenti, e ela começou a gargalhar.
    - Não é tão engraçado, Alice! – resmunguei – Quer dizer, Edward é um cara legal.
    - Ah, claro. Não é todo mundo que te empresta um lápis. – ela continuou gargalhando e eu olhei para os meus pés, desanimada. Alice tinha razão. Eu nunca tinha nem falado com ele. Isso ia acabar igual a todas as minhas paixonites: eu ia me decepcionar ao conhecer Edward e descobrir que não tínhamos nada a ver um com o outro, ou eu ia me decepcionar porque nunca conseguiria falar de verdade com ele.
    Alice deve ter percebido meu desânimo, porque parou de rir e olhou para a porta do vestiário de novo, de onde os meninos estavam voltando. Jasper estava imenso, como os outros.
    - Ah, mas ele até que é bonitinho. E forte. – o tom de Alice deixava claro que ela estava tentando me animar de novo. Por isso eu gostava de Alice: ela fazia o possível para me ver sorrindo.
    Dessa vez, porém, eu apenas rolei os olhos.
    - Ele está vestido para jogar futebol, Alice. Não tem como saber! – minha voz soou um pouco mais amarga do que eu pretendia.
    - Ah, Bella, desculpa! Não faz essa cara não! – ela parecia arrependida de ter rido, então eu fiz um esforço para parecer mais animada.
    - Não tem problema, Alice. Não ia dar em nada mesmo.
    Ela abriu um sorrisinho que eu conhecia bem, e que em geral queria dizer problemas.
    - Ah, não! Alice, eu te proíbo. – falei com firmeza, e o sorriso de Alice aumentou. – O que quer que você esteja planejando, eu te proíbo de fazer isso!
    - Não estou planejando nada! – ela se defendeu. Eu ergui uma sobrancelha.
    - Tá bom, talvez eu esteja. – Alice admitiu – Mas é só para retribuir um favor!
    Estreitei os olhos, desconfiada.
    - Que favor?
    - Bom, eu ainda estou te devendo por você ter me juntado com o Jasper... – ela começou, mas eu interrompi.
    - Não! Pela última vez, eu não quero esse tipo de favor!
    Alice vivia tentando me juntar com alguém, e o fato de eu estar solteira mostrava a eficiência dos seus planos. Na verdade, eles só tinham uma falha: em geral, eu não queria absolutamente nada com os caras que ela escolhia, apesar de ela fazer parecer que eu queria. Mike, por exemplo, ainda jurava que eu o amava.
    - Ah, Bella! Você vive falando que não quer nada com os caras que eu escolho, então eu escolhi um que você quer! – ela teimou e fez biquinho. E eu era a criança de 11 anos!
    - Não vai dar em nada, Alice! – lembrei a ela.
    - Eu faço vocês virarem melhores amigos, ou quase, porque eu ainda existo, em uma semana. Quer apostar? – ela estendeu a mão para que eu a apertasse, mas eu apenas a empurrei.
    - Que foi? Tá com medo de perder? – ela já tinha um sorriso vitorioso no rosto.
    - Não. Tô com medo de ganhar.
    O sorriso de Alice caiu um pouco, mas se manteve inteiro.
    - Te garanto que essa você vai perder.
    Revirei os olhos e me virei para observar o jogo, mas de repente Alice se atirou sobre mim e abraçou minha cintura com força, pousando sua cabeça em meu ombro.
    - Ah, Bella! Eu adoro você! E acho que você precisa de um homem que te faça feliz!
    - Já estou bem servida com o que tenho, Alice.
    Ela abriu a boca para me responder, mas foi interrompida por alguma coisa que passou zunindo a milímetros do seu nariz. Olhei para Alice, atordoada, e ela me respondeu com o mesmo olhar. Quinze segundos depois, um dos jogadores veio em nossa direção.
    - A bola acertou uma de vocês?
    Tentei disfarçar minha reação à voz de Edward como um movimento para procurar o míssil atirado em nossa direção. Alice olhou para mim e depois para ele, com um sorrisinho sugestivo nos lábios.
    - Quase matou a Bella.
    Lancei um olhar furioso para Alice e ela me respondeu com um sorrisinho inocente. Edward se virou para mim.
    - Desculpe, Isabella. Não foi minha intenção. Te machuquei? – ele me perguntou, virando-se para mim. Seus olhos verdes refulgiram, semiocultos pelo capacete. Eu forcei as palavras para fora com esforço.
    - N... Não, tá tudo bem.
    Alice se abaixou para pegar a bola, mas, ao invés de entregar a Edward, ela começou a sacudi-la na mão.
    - Então, você é o Edward, não é?
    - Sou. – ele respondeu, com uma cara um pouco intrigada.
    - Eu sou Alice, namorada do Jasper, irmão da Rosalie, namorada do Emmett.
    Edward olhou para ele com uma cara assustada agora, e eu tive que interferir. Não ia deixar Alice fazer uma coisa dessas.
    - Ignore Alice. Ela não tem noção do tanto que essa frase é confusa.
    Edward deu de ombros, e tivemos um momento de silêncio desagradável. Eu desejei que Alice entregasse logo a bola para Edward, para que ele pudesse voltar ao jogo, mas ela continuou sacudindo a bola. Um começo de decepção me acertou: eu sabia que ia dar nisso. Simplesmente não tínhamos assunto!
    - Então – Alice quebrou o silêncio -, você é bom em Biologia, certo?
    Edward assentiu e ela continuou.
    - Ah, que bom. Bella aqui jura que vai repetir, e precisa de um professor particular. Você se importaria...?
    Ele sacudiu a cabeça em negativa e virou para mim, me examinando com o olhar.
    - Você é da minha sala, não é? A menina do lápis.
    Eu corei e assenti, e juro que vi uma sombra de sorriso se formar em seus lábios. Ou eu estava apenas projetando minhas expectativas de novo. Possível.
    - Não tem problema. A gente marca, Isabella.
    Assenti de novo, e Alice estendeu a mão para ele com um sorriso imenso no rosto.
    - Muito gentil você, Edward.
    Ele pegou a bola e voltou para o jogo. Assim que ele se virou, eu olhei furiosa para Alice de novo.
    - Você está morta.
    - Admite que você gostou, Bella! Você acabou de conhecer o cara e praticamente marcaram um encontro. Isso vai ser muito fácil. – seu sorriso aumentou e eu gemi.
    - Não vai ser fácil porque você não vai fazer nada, ouviu, Alice?
    Ela parou de sorrir e assumiu uma expressão séria.
    - Tudo bem, Bella. Se você não quiser, não faço nada.
    Seu rosto estava impecavelmente sério e sua voz não continha nenhum traço de ironia ou zombaria. Mesmo assim, eu sabia que ela não ia ficar parada.

    By: 'Paulinha

    Katinha, segue a fic ate ao fim! Eu mal comecei a ler não consegui parar -croma eu sei-
    Mas garanto-te que a fic é mesmo uma coisa doutro mundo brilha


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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Katinha Pattinson em Ter Out 19, 2010 5:26 pm

    Ainda não li esta parte mas vou ler e depois comento. Mas estou anciosa.
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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Katinha Pattinson em Qua Out 27, 2010 4:25 pm

    Olá Annia li a fic e estou realmente pasma como você tem uma imaginação fertil isso é otimo. Adorei a fic vai ter o continuação? estou esperando.
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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Annia Cullen em Qua Out 27, 2010 11:00 pm

    Obrigado pelos elogios, mas como referi no inicio a fic não foi escrita por mim mas sim por uma grande amiga minha a Paulinha. Ela é fantástica e sim, tem a imaginação mais fértil e promissora que pode existir. Esta fic tem sim continuação, muitos e muitos capitulos para leres!

    Capítulo 3

    Em geral, eu gostava do Sr. Banner, o professor de Literatura. Ele sabia que noventa por cento da turma tinha mais coisa na cabeça do que a matéria dele, principalmente no horário antes do almoço, então fazia vista grossa para as pessoas que comiam disfarçadamente e sempre liberava mais cedo.
    Mas quando, na segunda feira seguinte, ele inventou de segurar a turma pra tentar fazer com que a gente gostasse de Hamlet, eu fiquei com muita vontade de enforcá-lo. Ou de convencê-lo a se aposentar.
    Quando ele finalmente nos liberou, com quase quinze minutos de atraso, eu voei em direção ao refeitório, já imaginando a cara de impaciência de Alice. Quando finalmente a localizei no meio daquela multidão que lotava o refeitório, no entanto, meu queixo caiu.
    Ela não estava na nossa mesa de sempre, nem conversando com Erik sobre algum trabalho qualquer.
    Não. Ah, não. Ela tinha que estar sentada na mesa de Edward Cullen, conversando animadamente com ele como se fossem vizinhos.
    Peguei meu almoço e me aproximei da mesa, gemendo. Edward ergueu os olhos quando eu me aproximei, e eu me senti corar. A bochecha de Alice se ergueu pouco, como se ela estivesse sorrindo, mas ela continuou falando.
    - Então, Edward, não tenho certeza sobre essa parte dos anelídeos também...
    Ele abaixou os olhos para o papel que Alice empurrava na direção dele e leu rapidamente.
    - Essa parte aqui tá errada. Os anelídeos são celomados, não pseudocelomados, e protostômios com sistema digestório completo. Só os cordados são deuterostômicos.
    Enquanto ele falava, Alice olhou para mim e deu um chute de leve na cadeira ao lado de Edward, de forma que ela chegou um pouco para frente. Procurei outra para me sentar, mas aquela era a única disponível. Com um olhar de censura para Alice, me sentei na cadeira.
    Ela olhou para Edward quando ele terminou de falar, com cara de ter entendido. Eu tinha certeza de que eu estava com cara de interrogação. Deuteroquê?
    - Tá, muito obrigada, Edward. – ela agradeceu e virou o rosto para mim. – Isso são horas, Bella?
    - Culpa do Sr. Banner. – respondi, tentando ignorar Edward me olhando de canto de olho enquanto comia. – Ele ficou noventa anos tentando nos convencer de que Hamlet é bom, e agora eu simplesmente odeio Hamlet.
    Ficou mais difícil ignorar Edward agora que ele me olhava abertamente, mas eu fiz um esforço para não encará-lo.
    Alice riu alto.
    - Bom, tenho que ir consertar esses anelídeos. Vou indo.
    Ela se levantou da mesa sob meus olhares furiosos e se afastou praticamente gargalhando. Eu olhei para Edward de rabo de olho, sentindo todo o meu rosto queimar e sem ter a menor ideia do que fazer. Seria grosseiro me levantar e sair, mas eu tinha certeza de que ele não fazia questão da companhia.
    Eu estava a ponto de perguntar se ele queria que eu saísse quando ele quebrou o silêncio.
    - “O mundo não é eterno e tudo tem um prazo; as nossas vontades mudam nas esquinas do acaso. Pois essa é ainda uma questão não resolvida: a vida faz o amor ou é o amor que faz a vida? A quem não precisa nunca falta uma amizade, mas quem mais precisa só experimenta falsidade e encontra, oculto no amigo, um inimigo antigo.” – seus olhos tinham um certo brilho enquanto ele declamava, olhando para mim. Senti meu coração dar um salto.
    - Que... bonito. – me esforcei para dizer, lutando com as palavras. – Foi você que escreveu?
    Ele sacudiu a cabeça.
    - É Hamlet.
    Meu estômago afundou.
    - Ah. Talvez não seja tão ruim, então. – respondi, meio sem jeito. Ele olhou para o próprio prato e eu enfiei uma garfada na boca, sem sentir o gosto da comida direito. Isso estava sendo um desastre.
    Edward ergueu o rosto de novo e olhou para mim.
    - Desculpe. Não era minha intenção te deixar sem graça.
    Olhei para ele e mastiguei depressa para poder responder.
    - Não tem problema.
    Ele abriu a boca para dizer algo, mas mudou de ideia. Ficamos em um silêncio desconfortável (pelo menos para mim) até que Edward terminou de comer.
    - Você se importa? Tenho que revisar um dever de casa. – ele perguntou enquanto levantava da mesa. Eu fiz que não com a cabeça. – Desculpe mesmo por aquela hora. Não era minha intenção...
    - Não tem problema. – eu repeti. Ele me encarou por um minuto, como se para descobrir se realmente não tinha problema, e então acenou com a cabeça e foi andando.
    Pus as mãos na cabeça para me recuperar da tontura e me lembrei de soltar o ar, que eu estava segurando desde que aqueles olhos verdes tinham pousado nos meus.
    Tudo bem, aquilo fora um desastre completo. Totalmente desconfortável. Mas pelo menos eu não tinha estragado nada ainda. E de pelo menos um risco eu já tinha me livrado: Edward realmente era o que eu imaginava. Ele me pediu desculpas. Ele pediu licenças para se levantar da mesa. E aí ele pediu desculpas de novo! Ele era um perfeito cavalheiro, e definitivamente era preciso ser cega para não ver que ele era um cara bonito. Ou seja: Edward era perfeitamente “apaixonável”.
    Suspirei e olhei ao redor, para me garantir de que era seguro sorrir bobamente. Alice não poderia me ver sorrindo assim, porque senão ia saber que seu planinho “maléfico” estava dando certo. E, mais uma vez, eu preferia enfiar farpas de bambu debaixo das unhas a admitir que estava gostando do que ela estava fazendo.

    Capítulo 4

    As primeiras aulas do dia seguinte passaram como um borrão. Fiz um esforço para prestar atenção, mas toda vez que eu tentava olhar para o quadro negro meus olhos subiam direto para o relógio, e eu suspirava de impaciência por ainda estar longe da hora do almoço.
    Assim, quando o sinal do terceiro tempo tocou, eu fui a primeira a me levantar e voar porta afora na direção do refeitório.
    Alice já estava lá quando cheguei, sentada na nossa mesa de sempre, mas não havia nem sinal de Edward. Suspirei e me sentei ao lado dela, ainda esquadrinhando o refeitório com os olhos.
    - Não vai comer, Bella? – ela perguntou, de maneira risonha. Eu fiz que não com a cabeça, sem desviar os olhos da porta. Cada vez que ela abria eu prendia a respiração, e cada vez que eu via que não era Edward eu expirava pesadamente. Alice gargalhava com isso.
    Eu já estava perdendo as esperanças quando, finalmente, ele chegou. Mordi o lábio para evitar um sorriso – seria simplesmente ridículo demais, e Alice ainda estava ali – e soltei o ar com calma. Segui Edward com os olhos enquanto ele ia pegar sua comida, examinando-o. Sua blusa azul marinho não tão folgada realçava seu tom de pele e delineava o contorno de suas costas bem desenhadas, e seu cabelo acobreado arrepiava atrás de uma maneira charmosa.
    Ele se virou para as mesas, mas a súbita consciência do que eu estava fazendo me impediu de examinar seu rosto. Corei e abaixei o olhar. Eu estava mesmo examinando o corpo de Edward?
    - Não precisa corar assim só porque você estava secando o cara, Bella! – Alice me disse, rindo. Eu olhei para ela furiosa (não precisava gritar isso, precisava?) e corei ainda mais. Então ela tinha percebido, e eu jurando que estava sendo discreta.
    Tentei me concentrar apenas na mesa a minha frente, mas ergui os olhos quando Edward se aproximou de nós. Meu coração bateu rápido e eu olhei de rabo de olho para Alice, esperando que ela levantasse a mão e dissesse “Oi, Edward!” com um sorriso convidativo. No entanto, ela apenas acenou para ele discretamente e continuou comendo.
    Observei com descrença quando Edward nos cumprimentou com um aceno de cabeça e foi se sentar a duas mesas de distância de nós. Assim que ele se sentou, eu olhei para Alice, boquiaberta.
    - Que foi? – ela perguntou, com a cara mais inocente desse mundo.
    - Pensei que você fosse chamá-lo para se sentar com a gente . – falei, como se fosse óbvio. E realmente era: Alice, planinho de cupido, almoço, Edward… minha conclusão tinha lógica.
    Ela sacudiu a cabeça.
    - Bella, você não pode esperar que tudo caia do céu. – ela me olhou com desaprovação. - Não vou fazer tudo por você. Se você que almoçar com ele, convide-o!
    Meu queixo caiu de novo, dessa vez de horror. Ela não estava fazendo isso comigo!
    - Q-quem quer nos juntar é você, Alice. – argumentei, tentando fazê-la mudar de ideia. – É você que faz questão de que ele almoce com a gente.
    Ela deu um sorrisinho.
    - Então você deve estar feliz que eu não o chamei, não é?
    - Impossível discutir com Alice. – resmunguei para mim mesma. Ela concordou com a cabeça.
    - Bella, você vai ver que no final isso vai valer à pena.
    Ela começou a explicar o quanto esse contato era importante para o relacionamento, mas eu parei de prestar atenção para observar Edward. Não podia ser tão difícil, podia? Era só caminhar até ele e falar: “Ei, você quer almoçar com a gente?”. Isso mesmo,era fácil. Muito fácil.
    Alice tinha parado de falar e estava me olhando.
    - Bella? Estou esperando você ir.
    - Hm... o almoço está acabando. – respondi, olhando de relance pra o relógio e rezando para isso ser verdade. – Então deixa pra amanhã.
    O dia seguinte foi quase uma repetição do anterior. As primeiras aulas passaram em outro borrão, eu corri para o refeitório e fiquei esperando Edward chegar. Quando ele passou pela nossa mesa, Alice cumprimentou-o da mesma forma de antes.
    - Tudo bem, hoje eu falo com ele! – sussurrei para mim mesma, e estendi o braço para cumprimentá-lo. Ele apenas acenou com a cabeça de novo e seguiu para a mesma mesa de ontem. Eu me virei para Alice, com olhos suplicantes, mas ela sacudiu a cabeça negativamente.
    - Não vou falar.
    - Alice, não me faz fazer isso! – implorei.
    - Anda, Bella, vai lá falar com ele! – ela mandou. Eu me levantei sem vontade nenhuma de fazer isso e olhei para a mesa dele. – Vai logo, Bella!
    Ela me empurrou de leve e eu perdi o equilíbrio. Dei dois passos desajeitados e trombei com as cadeiras da mesa da frente, fazendo muito barulho. Edward levantou o rosto para procurar a fonte do barulho e me viu. Ótimo, tarde demais para mudar de ideia.
    Me endireitei, corando, e me aproximei dele.
    - Oi, Bella. – ele cumprimentou, puxando a cadeira ao seu lado para que eu me sentasse.
    - O-oi, Edward. – ignorei a cadeira e fiz um esforço enorme para botar as palavras para fora. – Eu estava pensando se... se você não quer almoçar... com-migo.
    Ele arqueou a sobrancelha.
    - Com você?
    - É, sabe, eu e Alice... – apontei por cima do ombro com o dedão, mordendo o lábio. O jeito como ele dissera “com você” tinha sido desagradável.
    Ele suspirou.
    - Isso tudo foi ideia dela, não foi?
    - Foi. – o jeito como ele tinha suspirado também não tinha me agradado. Senti minha garganta apertar.
    Ele passou a mão pelo cabelo de um jeito extremamente sexy (meu Deus, eu estava realmente pensando isso?) e se levantou, levando sua bandeja. Voltamos para a nossa mesa e nos sentamos, ele ao meu lado, já que de novo não havia mais nenhuma cadeira disponível.
    - Oi, Edward! – Alice cumprimentou, toda animada. Ele acenou com a cabeça.
    - Olá, Alice
    - Então, o que você dois iam fazer hoje à tarde? – ela perguntou, olhando de mim para ele. Olhei para Edward pelo canto do olho e reparei que ele também estava olhando. Corei e desviei o olhar.
    - “Iam”? – Edward perguntou, arqueando uma das sobrancelhas. Alice assentiu.
    - É. Porque nós vamos ao cinema.
    - Nós quem, exatamente? – a voz de Edward tinha o mesmo tom de antes, quando eu o chamara para sentar com a gente. Minha garganta fechou de novo.
    - Ah, você sabe. – Alice respondeu, abanando a mão. – Eu, você, Bella, Jazz, Rose e Em.
    - Todo mundo já concordou em ir? – ele perguntou, descrente. Alice deu de ombros.
    - Só falei com vocês até agora. Você vai, certo, Bella?
    Olhei de Alice para Edward. Ele parecia extremamente desconfortável com isso, e meu estômago afundou.
    - Não me põe no meio, Alice. Eu tenho que limpar a casa.
    Alice bufou e a expressão de desconforto de Edward aumentou.
    - Tudo bem, então. Não vá. – ela se virou para Edward. – Você vem, certo?
    - Não posso. Tenho que fazer um trabalho. – ele respondeu.
    - Pra que dia é isso? – Alice perguntou.
    - Sexta feira.
    - Então você faz amanhã! Simples assim. – ela recostou-se na cadeira e continuou comendo.
    - Alice, eu não posso! – Edward afirmou. Ela o olhou com uma expressão severa, do tipo “você-vai-e-ponto”, e ele suspirou. – Tá bom, tá bom, se é tão importante eu vou.
    - Ótimo. – ela disse, e se virou para mim. – Tem certeza de que não vai?
    E então eu entendi porque Alice havia desistido tão fácil de me convencer a ir: porque ela sabia que, assim que convencesse Edward, me convenceria também. Mordi o lábio, tentada a falar que ia, mas seria muito ridículo eu dizer isso assim que ele havia decidido ir.
    Edward começou a olhar para mim também, esperando por uma resposta. Isso não me ajudou a decidir.
    - Ah, Bella, você não pode limpar a casa depois? – Alice perguntou, com olhinhos pedintes.
    - Bom... tenho que ligar para Charlie, mas...
    - Mas ele vai te deixar ir assim que você disser que eu vou. – Alice abriu um sorriso imenso e eu suspirei de alívio enquanto pegava o celular no bolso. Eu não sabia por que estava surpresa: no final, tudo sempre saía do jeito que Alice planejara.

    brilha*

    Alice estava certa, claro, e assim que eu mencionei seu nome Charlie passou a achar a ida ao cinema uma ótima ideia. A perspectiva de ficar no mínimo uma hora e meia sentada ao lado de Edward (porque com certeza Alice faria nós acabarmos assim) me deixava eufórica, apesar de essa euforia diminuir quando eu me lembrava da expressão de desconforto de Edward.
    Eu não estava com meu carro porque Alice tinha me dado carona de manhã, então já estava definido que eu iria com ela, mas Edward fez questão de ir com o dele, apesar dos protestos de Alice para que fosse conosco. Dessa vez, ele tinha um argumento que nem mesmo ela poderia contrariar: ele não podia deixar o carro na escola.
    - Não tinha um cara mais legal pra você se apaixonar, Bella? – ela resmungou enquanto dirigia em direção ao cinema. Era a primeira vez que ela tinha perdido uma discussão, e ela estava tão ranzinza que chegava a ser engraçado. – Tinha que ser um tão teimoso e cabeça-dura?
    - É, claro. – repeti essa resposta pela terceira vez. Eu não estava prestando muita atenção ao que Alice resmungava, e ela não prestava atenção às minhas respostas. Olhei pela janela de novo, procurando entre os motoristas algum que tivesse cabelos acobreados e charmosamente despenteados, mas era inútil. Edward com certeza havia tomado outro caminho. E eu não podia procurar o carro dele, porque Alice me puxara pra dentro do dela depois de ter perdido a discussão tão rápido que não deu tempo de ver qual era.
    Corei ao lembrar disso. Quando Alice disse: “é, acho que você tem razão”, de forma bem contrariada, eu olhei boquiaberta para Edward. O que ele havia feito era uma façanha, e eu vinha tentando fazer aquilo havia aproximadamente dez anos.
    Assim que eu me virei para olhar para ele, ele também olhou para mim, e deu um sorrisinho de lado quando viu minha expressão. Meu coração deu um salto quando ele sorriu e eu senti minhas bochechas queimando. Ele continuou sorrindo, e eu teria continuado olhando se Alice não tivesse agarrado meu braço e me enfiado dentro do carro.
    Os outros já estavam no cinema quando nós chegamos, incluindo Edward, que saíra depois de nós. Alice bufou quando o viu, e ele respondeu com outro sorrisinho torto (que fez meu coração pular e minhas bochechas corarem de novo). Fiquei preocupada que Alice esquecesse a razão de estarmos ali, mas assim que ela viu Jasper ela recuperou o bom humor.
    Nem eu nem Edward optamos em relação ao filme; eu porque estava ocupada demais tentando controlar minha respiração e meu fluxo sanguíneo para que não ficassem óbvios os efeitos do sorriso de Edward em mim – e falhando completamente, devo dizer -, e Edward porque estava ocupado demais fazendo cara de desconforto toda vez em que Alice vinha nos perguntar o que queríamos ver.
    - Alguém vai querer pipoca? – perguntou Alice enquanto nos sentávamos, Edward na ponta, eu ao seu lado, Alice do meu outro lado, depois Jasper, Rosalie e Emmett. Eu e Edward balançamos a cabeça negativamente, mas os outros se levantaram e a acompanharam.
    Assim que eles saíram da sala, Edward recostou-se na cadeira e começou a passar as mãos pelo cabelo, ainda com cara de desconforto.
    - Edward... tá tudo bem? – perguntei com uma voz fraca que custou a sair, e me senti corar. Ele me olhou assustado, como se tivesse esquecido que eu estava ali, e esfregou o cabelo para frente e para trás, bagunçando-o completamente.
    Edward olhou para a escada.
    - Eles vão demorar a voltar, não vão?
    Eu assenti e prendi a respiração quando ele virou os olhos verdes para mim. Eles eram hipnotizantes, mas eu fiz um esforço para olhar para outra coisa – meus joelhos, por exemplo.
    - Posso te perguntar uma coisa, para você me responder com sinceridade? – Edward me perguntou, e eu tive que morder meu lábio para me impedir de sorrir bobamente. Ele ia me perguntar o que eu achava que ia me perguntar? Bem, isso explicaria sua cara de desconforto: a ideia do que ele me perguntaria estaria deixando-o nervoso.
    Ergui os olhos de novo e meu coração acelerou quando encontrei os dele. Prendi a respiração de novo, e fiz um enorme esforço para não me prender naquela armadilha de esmeralda e prestar atenção à sua pergunta.
    Assenti, e ele passou a mão pelo cabelo outra vez antes de perguntar:
    - Alice está afim de mim, não está?
    Meu estômago despencou e eu senti um gosto amargo na boca. Tentei engolir para tirar o gosto, mas um nó na minha garganta me impediu. Edward ainda estava olhando para mim, esperando, mas eu não conseguia formular uma resposta. A única palavra que se repetia em minha mente era “Alice”.
    O máximo que consegui fazer foi erguer minha sobrancelha.
    - Ela está sempre sorrindo pra mim, e me convidando para sentar com vocês, e ficou me importunando para vir... – ele falou, passando a mão pelos cabelos novamente. – Eu não sei se é só o jeito dela, mas de qualquer forma...
    Ele fez uma pausa. Eu ainda não conseguia dizer nada, apenas continuava mordendo meu lábio, agora para me impedir de chorar. Alice?
    - Bom, diga a ela para não terminar com Jasper, ok? Eu não quero atrapalhar nada.
    Assenti, ainda sem conseguir encontrar palavras para respondê-lo, e virei o rosto para assistir aos trailers que milagrosamente tinham começado. Senti seu olhar sobre mim por alguns segundos, antes de ele se virar também, e resisti à vontade de olhar para ele.
    Alice e os outros só voltaram alguns minutos depois, logo antes do começo do filme, então ela não percebeu o clima.
    Fiz o possível para me concentrar no filme e tirar as falas de Edward da cabeça, mas não consegui, e abençoei a escuridão da sala de cinema quando uma das lágrimas que eu tentara reprimir escapou e escorreu pela minha bochecha.

    By: 'Paulinha


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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Katinha Pattinson em Qui Out 28, 2010 4:40 pm

    Oi Annia desculpa pelo engano. Mas ai Paulinha adorei a fic estou encantada com o desenrolar dos capitulos são fascinantes.
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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Annia Cullen em Qui Out 28, 2010 8:25 pm

    A 'Paulinha agradece imenso! Espero que tu e outros fãs se dediquem a ler e apreciem. E por favor comentem. Queremos saber as vossas opiniões.

    Capítulo 5

    Alice só parou de me importunar depois que eu disse que estava com dor de cabeça. Ela continuava me perguntando por que eu estava com aquela cara de enterro, e se tinha acontecido alguma coisa com Edward. Pensei em contar pra ela, mas preferi deixar quieto.
    Usei a mesma desculpa da dor de cabeça com meu pai quando cheguei em casa e fui direto para o meu quarto. O dever de Inglês estava me chamando, mas não era um chamado muito apelativo, então era fácil de ignorar. Tomei um banho rápido e me joguei na cama, tentando esquecer aquela tarde desastrosa. Acordei quinze segundos depois de me deitar, ou assim pareceu. Levantei sem nenhum ânimo para ir para a escola: o bom motivo que tinha já não valia mais.
    Meu primeiro horário era Inglês, junto com Alice. Depois de o professor gritar comigo por uns dez minutos porque eu não tinha feito o dever, eu senti um cutucão nas costas e peguei o papel que ela estava tentando me passar.
    Bella Swan não fez o dever? Alguma coisa está muito errada.
    Revirei os olhos quando li o papel e peguei a caneta para responder.
    “Haha. Muito engraçado, Alice.”
    Esperei o professor virar de costas e passei o bilhete para trás. Alice passou para frente de novo em dois minutos.
    Sério, Bella, você está estranha. O que aconteceu ontem?
    Mordi o lábio e peguei a caneta, pensando em alguma resposta.
    - Nunca esperei isso de você, Srta. Swan. – ergui os olhos e vi o professor parado na frente da minha carteira. Quando ele tinha chegado ali?
    - Desculpe, professor. – respondi, guardando o bilhete e agradecendo mentalmente ao professor por não ter precisado inventar uma desculpa convincente. Quando a aula acabou, eu saí correndo para que Alice não viesse me incomodar, e acabei chegando à sala de Espanhol cedo demais.
    A sala estava vazia quando cheguei, exceto por uma mochila familiar na primeira carteira. Eu não estava afim de prestar atenção, ainda mais na aula de Espanhol, então me sentei no fundo e fiquei rabiscando a última folha do caderno. Quando ergui os olhos de novo, a sala estava quase cheia, exceto pelo lugar ocupado pela mochila e pela cadeira ao meu lado. Comecei a separar o material de Espanhol apressadamente e derrubei um dos cadernos. Nem tive tempo para abaixar, porque no instante seguinte alguém estava colocando-o na minha carteira de novo.
    - Acho que isso é seu. – ergui os olhos sem pensar quando ouvi a voz de Edward, e me deparei com seus olhos incrivelmente verdes. Eu nunca me cansaria de olhar para eles.
    - É, é sim. – respondi, pegando o caderno e enfiando na mochila. – Obrigada.
    - Não há de quê.
    Edward estava sentado na carteira que estava vazia ao meu lado, e pôs a própria mochila sobre a mesa. Eu a reconheci.
    - Por que você trocou de lugar?
    Ele ergueu uma sobrancelha.
    - Você tava lá na frente, não tava?
    - É, tava, mas...
    - Buenos días, clase. – a professora entrou na sala antes que ele pudesse responder. Eu me virei para frente, para tentar ignorar a presença de Edward. Fitei o quadro, mas o verbo “gustar” não conseguiu capturar minha atenção, e eu comecei a viajar.
    Por que, por que Alice? Ela já não tinha tudo de que precisava? Não que eu estivesse com raiva dela, mas...
    Não concluí esse pensamento, porque alguém atirou uma folha de papel dobrada na minha carteira. Não vi de onde era, e a desdobrei para ver o que tinha.
    “Falou com Alice?”
    Olhei para Edward e ele assentiu. Virei os olhos para o papel de novo, sem acreditar que aquilo estava acontecendo. Alice de novo? Rolei os olhos e mordi o lábio antes de responder.
    Falei.
    Examinei a sua caligrafia antes de devolver o papel para ele. Ela era bonita, rebuscada e ligeiramente inclinada para a direita. O contraste entre a letra dele e os meus garranchos era gritante. A contragosto, passei o papel para ele.
    Ele escreveu rapidamente e me devolveu.
    “E...?”
    “Não precisa se preocupar. Ele não vai terminar com Jasper.” escrevi e repassei o papel. Ele suspirou (de alívio, eu supus) quando leu.
    “Que bom. Jasper e amigo de Emmett e eu nao quero atrapalhar nada nem machucar ninguem.”
    Mordi o lábio para impedir as lágrimas quando li isso. Ele já tinha machucado.
    Senti seu olhar sobre mim e lembrei que tinha que responder. Limpei as lágrimas disfarçadamente e escrevi:
    “Acho que ninguém queria isso.”
    Ele franziu as sobrancelhas quando leu minha resposta e olhou para mim de maneira interrogativa. Ótimo, ele percebeu o verbo no passado. Dei de ombros e ele foi responder, mas olhou para frente quando a professora chamou seu nome.
    - Señor Cullen, Señorita Swan, vosotros quieren dividir algo con la clase?
    Gelei. Eu simplesmente odiava quando os professores falavam assim.
    - Bella me preguntó una duda sobre la lección, profesora. – falou Edward, com a voz tranqüila, mas seu rosto tinha um traço muito sutil de nervosismo. Meu queixo caiu: ele tinha realmente aprendido alguma coisa nessa aula?
    A Sra. Goff se aproximou da mesa de Edward e tomou o papel da sua mão. Joguei minha cabeça para trás. Não, não, não, não, não!
    - No creo que su vida amorosa sea el asunto de la lección, Señor Cullen. – ela respondeu, com as sobrancelhas arqueadas. A cara de Edward era de pânico, e eu tinha certeza de que espelhava a minha. A Sra. Goff suspirou, dobrou o papel e guardou no bolso. – Detenção para os dois.
    Isso não podia estar acontecendo. Denteção? Eu? Isabella Swan? Olhei de rabo de olho para Edward, furiosa com ele. Isso não teria acontecido se não fosse seu bilhete estúpido. Ele me olhou apologeticamente e articulou “Me desculpe” com a boca. Minha raiva passou quando eu vi seu olhar desolado. Ele também era um aluno exemplar. Ele devia estar se sentindo tão mau quanto eu.
    A Sra. Goff caminhou até o espaço entre a minha carteira e a de Edward e nos encarou com olhos desapontados.
    - Francamente, nunca esperei uma coisa dessas de nenhum dos dois. Quem está desencaminhando vocês? – eu olhei para Edward e ele olhou para um nome no papel. “Alice”. Claro. Suspirei e rolei os olhos: era hora de acabar com isso.
    - Te garanto, Sra. Goff, que isso não vai se repetir. – falei, me forçando a desviar os olhos de Edward para encarar seriamente a Sra. Goff. Ela assentiu, parecendo satisfeita, e se virou para o quadro. Eu me virei para frente, querendo prestar atenção em Espanhol e esquecer Edward e o resto da história, mas um toque no braço me desconcentrou.
    - Isso é tão assustador pra você quanto é pra mim? – Edward perguntou, sussurrando. Eu continuei olhando para frente quando respondi.
    - É. E você vai piorar a situação.
    Ele passou as mãos pelo cabelo e foi mais difícil olhar para o quadro e não para ele.
    - Meu pai vai me matar.
    Foi aí que caiu a ficha: eu tinha que contar para Charlie.

    Capítulo 6

    - Detenção?! – a voz de Charlie era incrédula quando eu contei para ele durante o almoço.
    - É. E já que estamos falando disso... – tomei fôlego para terminar de contar a notícia. – Você vai ter que assinar uma ocorrência quando eu chegar em casa.
    - Ocorrência?! – mais uma vez, o tom incrédulo.
    - É, eu... esqueci um dever de casa.
    Mordi o lábio quando ouvi Charlie respirar fundo. Lá vinha coisa.
    - Bella, eu fico muito feliz que você tenha feito novos amigos e esteja saindo mais de casa. Mas se isso estiver te atrapalhando na escola, vou ter que parar isso. Se formar ainda é a sua prioridade na vida, certo?
    - É, pai! – eu afirmei, surpresa com a pergunta. – Foi só um deslize. Até o mais forte de nós cai do galho, não é?
    Ele pareceu aliviado com o meu tom veemente e me desejou boas aulas antes de desligar. Suspirei e guardei o telefone no bolso. Poderia ter sido bem pior.
    - Ele foi até rápido, não? – perguntou Alice, ecoando meus pensamentos. Eu olhei para ela, que segurava uma batata frita e a balançava de um lado para o outro, e tentei controlar a raiva irracional que eu estava começando a sentir dela. “Não é culpa de Alice eu estar de detenção”, eu ficava repetindo para mim mesma, mas uma vozinha irritante me dizia que, se não fosse por ela, Edward não teria me mandado o bilhete pecaminoso.
    Olhei para a mesa dele por cima do ombro quando me lembrei de que ele também teria que falar com o pai. Pelo visto sua situação era pior do que a minha: ele tinha começado a ligação antes de mim e ainda estava no telefone. Sua mão voava pelo cabelo já desgrenhado – toda vez que fazia isso, parecia nervoso – e ele respirava pesadamente, ou assim parecia pelo modo como seus ombros balançavam. ¹
    Voltei os olhos para o meu prato. Fim do assunto Edward. Depois da aula de Espanhol, eu fiz o possível para parar de pensar nele. Ele que mandasse seus bilhetes sobre Alice para outra pessoa, eu nem queria mais saber.
    Alice percebeu meu humor.
    - Bella, uma detenção não é motivo para essa cara fechada.
    - É sim. – respondi, fechando ainda mais a cara. Não que o motivo fosse apenas a detenção, mas ela não precisava saber de tudo. – Vai pro meu histórico, sabia?
    Alice revirou os olhos.
    - Isso corta Harvard e Yale, mas Princeton ainda está dentro, não?
    Foi a minha vez de revirar os olhos.
    - Como se eu fosse entrar em alguma dessas.
    - Você tem muito mais chance do que eu, com meu histórico cheio de deveres não feitos.
    - Pede os nerds para corrigirem pra você. – sugeri, com um sorriso de deboche. Alice me deu a língua e riu, atirando a batata em minha direção. Eu soltei uma risada e me abaixei para me esquivar. Quando me levantei de novo, um par de olhos verdes atrás de Alice chamou minha atenção.
    Edward estava olhando para nós, com uma expressão estranha. Olhei para ele por um curto espaço de tempo, acenei com a cabeça e voltei os olhos para minha bandeja de comida de novo. Alice ainda estava rindo, e eu dei um sorrisinho fraco para ela.
    O resto do dia passou como um borrão. Cada vez que eu olhava para o relógio ele parecia ter saltado vinte minutos, apesar dos meus esforços mentais inúteis para que ele andasse mais devagar. Infelizmente (e eu nunca pensei que fosse dizer isso), a última aula do dia chegou ao fim. Arrastei-me para fora da sala, acenando tristemente para Angela, que saía para aproveitar sua liberdade, e procurei a sala de detenção. Pelo que a Sra. Goff me explicara, a sala era perto da sala dos professores, mas numa parte da escola a que eu nunca havia ido.
    Encontrei a sala por fim, e tive certeza disso quando vi Edward parado à porta, de olhos fechados e respirando fundo. Caminhei até o seu lado.
    - Oi, Edward.
    Ele deu um pulo para trás, todo o seu corpo estremecendo, e olhou para mim com olhos arregalados.
    - Nunca mais faça isso.
    Soltei um risinho nervoso e cruzei os braços enquanto observava-o passar as mãos pelo cabelo, visivelmente nervoso.
    - Se preparando para entrar?
    - Com certeza. É aterrorizante. – ele respondeu, expirando pesadamente
    Eu concordei.
    - Requer coragem.
    Edward olhou para mim e riu de lado. Não consegui acreditar, mas, mesmo já acelerado pela situação aterrorizante, meu coração conseguiu bater em um ritmo diferente por causa do sorriso. Demorei a perceber que Edward parecia achar graça em alguma coisa.
    - O que foi?
    - Nós somos ridículos. Dois nerds com medo de entrar na detenção.
    Eu sabia que era bobo, eu sabia que não era um bom motivo, mas o jeito como ele dissera “nós” mandara uma corrente elétrica pela minha coluna, me deixando arrepiada. Era exagero, mas me fazia imaginar nós dois juntos. Mas eu sabia que não ia passar disso – imaginação. Eu tinha motivos para ter certeza disso, e sabia que era melhor não deixar minhas expectativas subirem demais.
    - Nos vestimos bem demais para sermos nerds, de acordo com Alice. – respondi ao seu comentário com um pouco de azedume demais. Edward juntou as sobrancelhas, franziu os lábios e deixou um nome escapar entre eles.
    - Alice...
    Seus dedos correram pelo seu cabelo de novo e o silêncio que se seguiu era carregado de tensão. Ele se virou e olhou para mim de novo, fazendo meu coração estúpido voltar a bater depressa.
    - Bella... – ele começou, levando a mão à nuca. Meu coração deu um salto por causa do jeito como ele disse meu nome. Coração estúpido. – Vamos fazer isso juntos, ok?
    Mais uma vez, suas palavras fizeram minha mente se encher de imagens, e eu tive que me concentrar para entender do que ele estava falando.
    - Q-que?
    - Vamos... entrar na sala juntos. – ele sugeriu, e então um sorriso brincou em seus lábios. - E de cabeça erguida, afinal nós somos dois encrenqueiros que foram mandados para a detenção.
    O sorriso dele, apesar de ter um toque de nervosismo, era de divertido e convidava a relaxar. Mas eu não queria me arriscar, me deixando levar por seus sorrisos irresistíveis, então apenas concordei com a cabeça. Edward ergueu as sobrancelhas, seu sorriso caindo, e abriu a porta.
    - Sr. Cullen, Srta. Swan. – disse uma mulher ruiva sentada atrás da mesa do professor, com o pescoço torcido para olhar para nós. – Finalmente resolveram se juntar a nós.
    Edward entrou na sala e eu o segui, fechando a porta atrás de nós. A plaquinha na mesa do professor dizia que a mulher era a Srta. Stroup. Eu a conhecia apenas de nome: ela era a professora de Francês da escola.
    Examinei a sala com o olhar. No quadro, estavam escritas as regras da detenção: “Nada de conversas, nada de aparelhos de música, nada de celulares”. Do lado esquerdo havia uma foto enorme da capa de “Crime e Castigo”, de Jane Austen. Do outro lado, um cartaz escrito “não cometa o crime se não pode pagar o preço”. Conveniente para uma sala de detenção. Virei o rosto e olhei para as carteiras. Metade estava ocupada, metade estava vazia. A maior parte das vazias era na frente.
    Edward cutucou meu cotovelo e apontou para a mesa da Srta. Stroup. Havia um papel para eu assinar em cima da mesa. Escrevi meu nome nos meus garranchos embaixo da letra caprichada de Edward e me sentei na cadeira ao seu lado.
    Ele abriu a boca para me chamar, mas a Srta. Stroup falou antes dele.
    - Primeira frase no quadro, Sr. Cullen.
    Olhei para ela com olhos arregalados. Ela nem estava olhando para nós!
    Alguns rapazes atrás de nós soltaram risadinhas e Edward suspirou. Pelo visto, tudo o que eu tinha a fazer era encarar a decoração. Ou o meu dever de casa, mas eu não estava com humor para trigonometria. Suspirei também e tentei me distrair procurando padrões nos desenhos aleatórios da mesa de madeira.
    Depois de quinze minutos de tédio total e absoluto, a Srta. Stroup se levantou.
    - Muito bem, rapazes... e moça. – ela acrescentou, olhando para mim, e eu percebi corando que era a única garota ali. - Eu tenho que dar um pulo na sala dos professores. Fiquem quietinhos que eu já volto, tudo bem?
    Ela nos olhou severamente, murmurou “até parece” e saiu da sala.
    Foi automático: a porta se fechou e a sala se tornou outra. Edward relaxou da postura tensa, eu escorreguei na cadeira e os meninos atrás de nós começaram a conversar. Um deles eu conhecia: Tyler, que fazia Educação Física comigo. Os outros, eu nunca tinha visto na vida.
    - Isabella Swan! – Tyler chamou me chamou, com um sorrisinho irônico nos lábios. – Resolveu se rebelar?
    Eu dei um risinho sem graça, nem um pouco afim de manter um diálogo com ele. Ele insistiu.
    - Não, sério. O que você fez?
    Suspirei, tentando achar paciência, e abri a boca para responder, mas Edward foi mais rápido.
    - Culpa minha. Mandei um bilhete pra ela na aula da Sra. Goff.
    Tyler olhou para ele com uma cara de desagrado.
    - Uuh, Sra. Goff e bilhetes não combinam. – respondeu um cara de cabelo castanho atrás de Tyler, rindo e balançando a cabeça. – É melhor sussurrar mesmo. Acho que a velha fica curiosa com bilhetes.
    Os rapazes atrás deles riram e Edward esboçou um sorriso. Eu revirei os olhos. Eles começaram a discutir os motivos para estarem lá e a disputar quem tinha feito o mais “arriscado”. Eu me virei para frente de novo, tentando ignorar a conversa. Fechei os olhos, deitei sobre a mesa e apoiei o queixo nas mãos.
    Ergui o rosto de novo apenas quando senti um toque no cotovelo, e me deparei com o rosto de Edward me encarando. Mais uma vez, o estúpido batimento acelerado. Eu ergui o tronco da mesa e me estiquei.
    - Bella, tá tudo bem? – Edward perguntou, num tom baixo para que os meninos atrás de nós não ouvissem. Eu precisei pensar para responder
    - Fora a detenção, eu estou bem. – respondi, um pouco amarga. Pensei que ele fosse rir do meu tom, mas ele continuou sério.
    - Não é tão ruim quanto eu pensei que fosse.
    Revirei os olhos de novo.
    - Realmente, você parecia estar com uma cara mais desanimada no almoço.
    Ele fez uma careta, e eu me arrependi pela minha aspereza. Estar na detenção não era exatamente o melhor do meu dia, e ver Edward todo alegrinho conversando com os caras não me ajudava. Por alguma razão, eu não gostava disso. Mas não era culpa dele eu estar mal-humorada.
    - É, meu pai pegou pesado. – Edward esclareceu, ainda fazendo careta.
    - Por isso você tava com aquela cara? – perguntei. Um brilho de surpresa perpassou seus olhos.
    - Não, isso foi por outra coisa... – Ele pareceu fazer esforço para encontrar as palavras. – Às vezes eu meio que... invejo você.
    - Por quê?! – perguntei, um pouco mais alto do que a altura em que estávamos conversando. Os caras se limitaram a olhar de rabo de olho para nós e continuaram sua própria conversa.
    Edward passou a mão pelo cabelo uma vez e respirou fundo. Ele não precisou dizer pra eu saber o motivo.
    - Alice. – verbalizei por ele, rolando os olhos. Edward me olhou de novo, dessa vez com um brilho de intuição nos olhos.
    - Aconteceu alguma coisa entre vocês?
    Eu olhei pra ele de novo, seus olhos verdes brilhando com intensidade como se ele tentasse descobrir alguma coisa nos meus, e tentei manter a coerência.
    - Por que a pergunta?
    - Toda vez que você fala o nome dela, sei lá, parece que você engasga. Como se te incomodasse de algum jeito..
    Eu não tinha ideia de que Edward era tão perceptivo. Ele continuou me encarando e eu mordi o lábio e olhei para o chão, procurando alguma coisa para dizer.²
    - Não aconteceu nada. – respondi, um pouco mais áspera do que eu planejava. Edward sussurrou um “tudo bem” e olhou para a mesa. Eu suspirei, arrependida de ter sido grossa com ele.
    - Desculpe, Edward.
    - Eu não devia ter me metido. – ele respondeu, e deu um sorrisinho de lado. – Sua paciência com ela é admirável.
    - Hein?!
    Tudo bem, tudo bem, ele usa termos como “admirável” numa frase e minha resposta brilhante é “hein”. Mas o que eu podia fazer? A pergunta era confusa demais pra mim. Edward riu baixo.
    - Ela é bem... insistente. E eu nunca te vi estressada com ela.
    Não consegui reprimir uma risadinha. Insistente; era um bom jeito de colocar isso.
    - Eu a conheço desde que tenho sete anos. Já estou acostumada.
    - Acho que eu não agüentaria sem estressar com ela uma ou duas vezes.
    Eu pude sentir meus músculos faciais compondo uma careta de confusão, mas foi impossível desfazê-la. Não tinha sentido; Edward gostava de Alice, por que ele estava falando isso? Só se...
    Não, nada de subir as expectativas. Nada de inventar possibilidades. Nada de criar oportunidades de se decepcionar. Minha política era essa. Mesmo assim, quando eu pensava que era possível de Edward não gostasse de Alice, eu me sentia tão leve.
    Olhei para Edward de novo. Ele não parecia estar tentando esconder nada, nem falando com ironia nem nada. Parecia que ele realmente queria dizer que Alice era irritante. Eu o encarei da mesma forma que ele me encarara antes, como se quisesse descobrir alguma coisa nos meus olhos, e o que eu encontre lá foi o suficiente para me convencer.
    Senti o sorriso besta se formar nos meus lábios, mas não consegui impedi-lo. Edward me olhou com uma cara engraçada, como se estivesse achando graça no meu sorriso besta mas não quisesse rir. Ele que risse, eu não ia ligar. Eu ia era rir com ele, me levantar e sair dando piruetas; minha vontade era essa.
    Mas claro que eu não fiz isso, porque naquela mesma hora a Srta. Stroup entrou na sala e a conversa teve que cessar. Eu olhei para Edward pelo canto de olho, ainda com o sorriso no rosto, e ele revirou os olhos, como quem dizia: “ok, mais meia hora de tédio”. Meu humor estava tão bom que, por mim, poderia ser mais uma semana inteira: pelo menos eu teria um motivo para ficar perto dele.

    By: 'Paulinha


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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Katinha Pattinson em Seg Nov 01, 2010 3:28 pm

    Defenitivamente amo isso.
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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Annia Cullen em Seg Nov 01, 2010 9:36 pm

    Capítulo 7 (Parte I)

    A pior parte da detenção só aconteceu depois que eu cheguei em casa: ver o desapontamento e o choque no rosto de Charlie quando ele assinou minha ocorrência e me perguntou como tinha sido a detenção. Eu preferia que ele tivesse gritado comigo e me deixado um mês de castigo; pelo menos a culpa seria menor.
    Será que o pai de Edward tinha reagido assim também? Ou ele tinha gritado? Ou será que ele não dissera nada, porque já tinha falado tudo o que precisava pelo telefone? Eu não conseguia para de pensar em Edward e em como seu pai estaria reagindo.
    Na verdade, eu não conseguia parar de pensar em Edward, ponto.
    Eu estava ficando mais convicta de que Edward não gostava de Alice, por alguma estranha razão. As coisas pareciam estar certas pensando desse jeito, apesar de que não se encaixavam. Por que então ele estava nos olhando esquisito na mesa? E por que ele tinha comentado que tinha inveja de mim na detenção, e o motivo era Alice?
    Isso era demais pra minha cabeça. Eu preferia pensar nas coisas a toa que me deixavam feliz em relação a Edward, como o jeito como ele era cavalheiro, as voltas charmosamente bagunçadas do seu cabelo, ou aquele primeiro dia, em que ele me dera o lápis...
    - Bella? Você está bem? – meu pai me chamou, provavelmente notando que eu estava meio fora do ar. Ficar devaneando durante o jantar dava nisso.
    - Tô sim, pai, só distraída. – respondi. Charlie resmungou e continuou comendo, mas havia alguma coisa no silêncio dele. Alguma coisa que ele tinha que contar. Resolvi pressioná-lo. – Você está bem, pai?
    Ele me olhou surpreso, como se tentando entender como eu descobrira. Eu vivia com meu pai havia dez anos; isso era tempo o bastante para conseguir lê-lo. Eu devolvi o olhar e ele suspirou, pousando o garfo no prato.
    - Sua mãe ligou enquanto você estava na detenção.
    Meus músculos se enrijeceram ligeiramente.
    - E o que ela queria?
    - Só falar com você. – pelo tom de voz, Charlie parecia estar tentando me acalmar. Ou seja: alguma coisa estava errada aí.
    - Ah, é? – perguntei, pousando meu garfo na beirada do prato. – Sabe sobre o que ela queria falar?
    - Acho que... – Charlie pigarreou. Mau sinal. - ela quer que você passe o próximo fim de semana na casa dela.
    Ergui a sobrancelha e fiz uma conta rápida mentalmente. Aquele fim de semana já era de Renee, por que ela estava me pedindo para ir lá? A resposta era óbvia: alguma coisa estava errada, e ela queria me contar devagar.
    Charlie estava me olhando de forma preocupada, então eu fiz o possível para controlar minha expressão. Levantei a outra sobrancelha, fiz uma cara de ligeira indiferença e peguei o garfo de novo.
    - Vou ligar pra ela depois. – olhei para o prato, sem muita vontade de comer. – Acho que já terminei.
    Me levantei, levei meu prato para a pia e fui para o meu quarto, tentando não pensar naquilo. O que quer que minha mãe tivesse que me contar, ela me contaria na semana seguinte. Me sentei na cama, peguei o telefone e comecei a discar o número da minha mãe, mas não terminei. Não era uma boa ideia ligar pra ela agora. Eu provavelmente iria me descontrolar e fazê-la me contar por telefone.
    Joguei o aparelho na mesa de cabeceira e me deitei na cama, sem vontade de fazer nada. Já era tarde da noite – Charlie havia demorado a chegar em casa – e o dia havia sido estressante, com a história de detenção e agora com isso da minha mãe. Torci o pescoço para olhar o relógio: nove e trinta e sete.
    Suspirando, arrastei-me da cama e fui até o banheiro para tomar um banho quente e relaxante. Arrastei-me de volta para o quarto quando terminei e me joguei na cama, mergulhando satisfeita na inconsciência em poucos minutos.
    Acordar no dia seguinte não foi fácil, mas poderia ter sido mais difícil. O primeiro pensamento que me ocorreu quando o despertador tocou foi “porcaria de despertador do inferno”. O segundo foi “saco, hoje tem Biologia”. E o terceiro foi “Pera, Edward está na minha sala de Biologia!”.
    Depois disso, saltar da cama e me vestir apressada foi fácil. Tomei meu café correndo e esperei por Alice na porta. Às sextas-feiras ela me dava carona para a escola, porque íamos direto para o shopping depois da aula. Não que eu (ou Charlie) achasse que esse fosse um bom hábito, mas era Alice.
    Ela chegou na hora de sempre e eu pulei para o carro com um sorriso meio abobalhado, que ela não deixou de notar.
    - Alguém está de bom humor hoje. – ela comentou enquanto dava partida. – Parece que a detenção te fez bem.
    - É, acho que sim. – respondi, ainda sorrindo, e não consegui ouvir seu próximo comentário, porque comecei a devanear sobre a aula de Biologia. Teríamos prática em dupla hoje, e eu tinha a desculpa perfeita para chamar Edward – eu era uma negação em Biologia. De repente ele...
    - Bella, tá me ouvindo? – Alice chamou de repente, me olhando com a sobrancelha arqueada.
    - Oi? Tô, tô sim! –me apressei em responder, fazendo um esforço para me lembrar do assunto, mas sem sucesso.
    - Então você não importa, não é?
    - Han... – respondi, mordendo o lábio. Eu nem sabia com o que eu não me importava.
    Alice estreitou os olhos.
    - Sabia que você não estava ouvindo! – eu suspirei e Alice continuou. – Enfim, chamei Jazz e Rose para irem ao shopping com a gente. Você não se importa, certo?
    - Não, claro que não. – respondi, e depois parei para pensar no assunto. Se Rosalie fosse com a gente, Alice teria alguém em quem descarregar sua obsessão por compras – alguém que corresponderia – e eu não ia ter que servir de boneca. Além disso, ainda tinha Jasper para distraí-la de sua obsessão. Realmente não era má ideia os dois nos acompanharem.
    Entramos no estacionamento da escola, e eu não consegui me impedir de procurar Edward. Virei minha cabeça para todos os lados, mas não o encontrei em lugar algum, então me arrastei infeliz para meu primeiro horário, esperando que este e o próximo passassem rápido para o terceiro horário chegar.
    Eles realmente passaram num borrão, mas de nada adiantou: Edward também não estava na aula de Biologia. Eu cheguei dez minutos mais cedo à sala e a cada vez que um aluno abria a porta eu prendia a respiração, para soltá-la logo em seguida ao ver que não era ele. Por fim, o professor entrou e fechou a porta, começando a aula, e Edward não chegou.
    Acabei fazendo dupla com Mike Newton, que se sentara ao meu lado e conseguia se confundir mais do que eu com os dois espécimes de lombrigas no microscópio. Eu podia sentir as olhadas furiosas de Jessica Stanley em minha nuca.
    Não havia sentido esperar que Edward estivesse no almoço, mas mesmo assim eu não consegui me impedir de procurá-lo quando cheguei ao refeitório. Ele não estava em lugar algum, claro, e eu fui pegar o meu almoço frustrada.
    Alice chegou depois de mim, parecendo estar tendo um dia normal. Ela começou a falar animadamente sobre o que ela e Jasper pretendiam fazer nas férias, mas parou quando viu minha expressão desanimada.
    - Que foi, Bella? – Alice perguntou, me olhando. Eu corei ao pensar na resposta; estava ficando obcecada demais.
    - Você viu Edward hoje?
    Alice soltou um risinho quando eu falei e seu tom de voz quando me respondeu era mais calmo.
    - Não, não vi. O que é estranho, porque o armário dele é perto do meu.
    Cuméquié?
    - Como assim, o armário dele é perto do seu? – perguntei, um pouco alto demais. – Por que você nunca comentou isso?
    Alice riu da minha exaltação.
    - Nunca surgiu oportunidade!
    Rolei meus olhos e mordi o lábio. Então ele realmente não tinha vindo – por quê?
    - Me pergunto por que ele estaria faltando. – Alice resmungou, e eu concordei com a cabeça, tentando me lembrar de ele ter dito alguma coisa sobre faltar à aula. Ele tinha um trabalho para entregar hoje (pelo menos ele disse que tinha), então era estranho que ele faltasse.
    Olhei ao redor mais uma vez, só para ter certeza de que ele não estava ali.
    - Sabe, eu te liguei ontem pra perguntar como foi a detenção, mas Charlie disse que você estava estudando. – Alice começou, com um tom de cobrança. Eu olhei para ela de novo, suas palavras repentinamente me lembrando de um assunto que eu não queria lembrar.
    - Ele deve ter engolido o recado. – respondi, controlando a voz e tentando empurrar os pensamentos para longe antes que Alice percebesse.
    Mas era Alice, minha melhor amiga durante dez anos, então isso era uma tarefa impossível.
    - Tá tudo bem, Bella? – ela perguntou, com a voz mais preocupada do que antes. Eu sacudi a cabeça afirmativamente, mas ela continuou me olhando. – Anda, Bella, desembucha.
    Eu olhei para ela, indecisa. Seus olhos mostravam preocupação e carinho, e eu suspirei. Não queria preocupar Alice.
    - Minha mãe me ligou ontem. – contei, por fim. Alice ergueu as sobrancelhas.
    - O que ela queria?
    Repeti o que Charlie me disse para Alice, e falei sobre a minha preocupação. Alice arredou sua cadeira para mais perto da minha e segurou minha mão.
    - Não deve ser nada, Bella. – ela falou, num tom reconfortante. Minha garganta fechou.
    - Da outra vez que ela me telefonou, foi algo muito sério. – respondi, com a voz fraca, e meus olhos ficaram molhados quando falei a próxima frase. – Foi pra me contar que ela estava doente. E se tiver piorado muito agora?
    Minha mãe tinha uma doença rara no sangue, que iria evoluir cada vez mais. Ela descobrira isso havia dez anos e garantira que, fora ela, Phil e Charlie, eu fosse a primeira pessoa a saber.

    Eu estava passando o fim de semana com Charlie, como era de costume. Meus pais haviam se separado quando eu tinha quatro anos, e eu fora morar com minha mãe. Quando eu tinha sete, mamãe se casou de novo com Phil, um ex-jogador de beisebol que interrompeu sua carreira quando rompeu o ligamento do ombro pela terceira vez. Agora ele trabalhava num jornal local, escrevendo a coluna de esportes. Phil era ótimo para minha mãe, e isso era o bastante para mim, apesar de ele sempre tentar ser um bom padrasto.
    Eu estava ajudando meu pai com o almoço quando o telefone tocou. Talvez seja estranho uma criança de sete anos ajudando na cozinha, mas tudo o que eu tinha que fazer era tirar a lasanha do pacote e colocar no micro-ondas. Meu pai sempre destruía um pedaço da comida para tirar do pacote, e eu estava mostrando a ele como fazer isso de forma civilizada.
    Ele resmungou alguma coisa sobre comida congelada e foi atender o telefone, enquanto eu terminava o processo sozinha. Dois minutos depois, ele me chamou, dizendo que o telefone era para mim. Mamãe me perguntou se eu queria ir ao cinema à noite, e eu aceitei satisfeita. Cinema com ela e Phil era sempre ótimo.
    Só comecei a me preocupar quando eles insistiram em me comprar um urso de pelúcia, depois de passarem o dia me dando sorvetes. Nessa hora, bati o pé e insisti que eles me contassem o que estava acontecendo. Minha mãe me levou para casa, dizendo que me contaria lá. Lembro-me até hoje de cada palavra que ela disse, e a lembrança ainda me faz chorar.
    - Bella, querida... – ela começara, se abaixando na minha frente até ficar com o rosto na altura do meu. Ela fez uma pausa, suspirou e me abraçou. – Eu te amo muito, tá? Nunca se esqueça disso.
    Eu a abracei de volta, sem entender. Quando ela me soltou, seus olhos estavam molhados de lágrimas, e isso me deu vontade de chorar também, mesmo sem saber por quê. Minha mãe sorriu tristemente, secando meu rosto com a mão, e me disse para não chorar.
    Suas palavras seguintes me deixaram completamente sem chão.
    - Eu fui ao médico outro dia para olhar aquelas coisas que estavam acontecendo comigo – aquelas coisas eram desmaios que ela estava tendo – e ele pediu um exame, e o resultado chegou semana passada.
    Ela fez uma pausa e eu prendi a respiração, nervosa.
    - De acordo com o exame – ela recomeçou -, algumas células do meu sangue não funcionam direito, e isso atrapalha o funcionamento de todo o meu corpo. Por isso eu estava passando mal.
    - Mas você vai ficar bem? – perguntei, e lembro que seus olhos se encheram de lágrimas.
    - É provável. – ela respondeu, e segurou minhas mãos com as dela. – Mas eu vou ter que fazer vários tratamentos para isso. E por isso...
    Ela fez uma pausa e olhou para Phil, que estivera parado na porta durante a conversa, pedindo ajuda. Phil se aproximou de nós e pôs a mão em seu ombro.
    - Nós achamos que será melhor para você passar um tempo com o seu pai. – ele continuou por ela. Eu olhei para Phil, e por um momento fiquei com raiva dele, considerando que ele estava tentando me afastar da minha mãe. Mas isso durou pouco, e eu logo entendi que eles não queriam que eu tivesse que passar pela confusão dos cuidados médicos de minha mãe, nem pela agonia da ver a doença enfraquecendo-a com o tempo.
    Assenti, fazendo esforço para conter minhas lágrimas, e minha mãe me abraçou. Duas semanas depois, eu estava me mudando para a casa de Charlie.

    Só percebi que meus olhos estavam cheios de lágrimas quando uma delas escorreu pela minha bochecha. Eu funguei, nervosa por estar chorando no meio do refeitório, e Alice apertou minha mão novamente..
    - Bella. – ela me chamou, e eu ergui os olhos. Alice me olhou com o mesmo olhar de carinho que me olhara antes. – Eu estou aqui com você, tá? Sempre vou estar.
    Eu não conseguia agradecer, apenas pisquei com força e limpei a lágrima com as costas da mão enquanto ela passava o braço pelo meu ombro e me abraçava.

    Capítulo 7 (Parte II)

    Alice queria desistir de ir ao cinema para fazer uma tarde de filmes (na minha casa, porque os pais dela estavam viajando), mas eu a convenci a manter o plano original. Jasper e Rosalie já tinha se organizado e, além disso, seria mais difícil me distrair em casa. Alice concordou, mas fez questão de que fizéssemos o que eu queria primeiro. Ela sempre pegava leve quando eu não estava bem.
    Assim, a primeira coisa que fizemos quando chegamos ao shopping foi ir para a livraria. O barulho das páginas sendo viradas nas mesas de leitura e a sensação agradável de estar rodeada pelas estantes de livros me faziam sentir-me protegida e mais calma quase que instantaneamente. Respirei fundo para absorver aquela sensação e me encaminhei para a estante de Literatura Britânica, enquanto Alice ligava para Jasper para explicar onde estávamos. Eu estava tão compenetrada no meu caminho que quase passei batido pelas três pessoas na mesinha de leitura.
    - Bella? – ouvi a voz de Jasper me chamando e olhei para trás, parando. Lá estava ele, sentado ao lado de Emmett e Rosalie no sofá de couro preto, com os pés apoiados na mesa.
    - Oi, Jasper. – cumprimentei, tentando não olhar para Emmett e Rosalie. Emmett era... amistoso demais, e Rosalie era tão bonita que doía no fundo do ego. Os dois me intimidavam um pouco.
    Jasper abriu a boca para perguntar alguma coisa, mas o refrão de Can’t Fight This Feeling começou a tocar dentro do seu bolso. Ele tirou o celular e o atendeu, sem olhar o identificador de chamadas.
    - Oi, Lice!
    Não consegui deixar de sorrir com a letra da música. Ela realmente encaixava para a história dos dois. Jasper e Alice se odiavam quando se conheceram, mas depois de uma tarde forçados a conviver (planejada por mim, claro) seu relacionamento disparou. Eles eram um dos casais mais fofos que eu já tinha visto.
    Jasper trocou algumas palavras com Alice e deu uma risada.
    - Olha pra trás.
    Ele riu de novo e desligou. Dois segundos depois Alice apareceu.
    - O que vocês estão fazendo aqui? – ela perguntou, se sentando ao lado de Jasper. – Pensei que a gente fosse encontrar na praça de alimentação.
    Emmett bufou.
    - A gente chegou vinte minutos mais cedo porque o Eddie queria ver uns livros. – ele disse o apelido com irritação e apontou com o polegar por cima do ombro.
    Meu corpo todo se virou na direção em que ele apontara e eu dei um passo inconsciente para frente. Meu movimento foi rápido demais e, claro, eu perdi o equilíbrio. A única coisa que me impediu de cair de cara no chão foi o par de mãos que me segurou pelos cotovelos e me colocou de pé.
    Eu olhei para cima, já com o rosto corado, e o par de olhos verdes me olhando fizeram meu rosto queimar ainda mais, tanto pela vergonha da minha falta de coordenação quanto pela proximidade entre o meu corpo e o dele.
    - Tudo bem, Bella? – Edward perguntou em voz baixa.
    - Uhum. – murmurei, incapaz de vocalizar algo mais elaborado.
    Ele me olhou de cima a baixo, suas pupilas verdes brilhando e procurando por algum sinal de que eu havia me machucado. Quando concluiu que eu realmente estava bem, ele me afastou e soltou meus braços. Pisquei com força e olhei ao redor. Alice e Rosalie se entreolharam rapidamente e olharam para mim, rindo. Emmett ria e sacudia a cabeça, e Jasper tinha um sorrisinho de lado.
    Olhei para baixo, repentinamente com vergonha de todos eles.
    Emmett se levantou, se esticando, e disse:
    - Agora que já estamos todos aqui, vamos fazer o quê?
    Alice olhou de mim para Edward e depois para Rosalie. Eu pude ver o brilho de uma ideia em seus olhos e ela se levantou.
    - Tenho uma ideia.
    Os outros olharam para ela, inclusive eu e Edward.
    - Bella e Edward querem ver livros, eu e Rosalie estamos atrás de roupas e provavelmente Jazz e Em querem...
    - Fazer qualquer outra coisa. – respondeu Emmett, com uma risada.
    - Eu ia falar “Loja de esportes”, mas serve também. – Alice comentou, e continuou. – Então, a gente se separa e se encontra daqui a, não sei, uma hora?
    Olhei para Edward de canto de olho, e desviei rapidamente quando percebi que ele também estava olhando. Eu não me oporia àquela ideia, com certeza não.
    Edward acenou com a cabeça e disse:
    - Por mim tudo bem.
    - Ótimo, então demorou. ‘Bora, Jasper. – disse Emmett, se levantando e se esticando. Rosalie virou os olhos e resmungou algo como “homens” antes de se levantar com Jasper e Alice.
    - Qualquer coisa, liga. – ela disse, olhando fundo nos meus olhos, e eu entendi a que coisa ela estava se referindo. Assenti, tentando conter o nó na garganta, e ela passou a mão em meu braço antes de sair com Rosalie.
    Eu me virei para Edward.
    - Então... – comecei. Ele ergueu os olhos do livro na mesinha e olhou para mim. – Você estava procurando alguma coisa?
    Ele deu de ombros.
    - Nada em especial. Você quer olhar alguma coisa?
    Dei de ombros também, e nós começamos a rodar em silêncio pela livraria. Eu estava morrendo de vontade de perguntar por que ele tinha faltado, mas estava com vergonha. Mordi o lábio, indecisa, e quando estava quase perguntando ele falou:
    - Perdi muita coisa hoje?
    Pisquei de surpresa e respondi:
    - Tivemos prática em dupla em Biologia, mas nada que você não soubesse, aposto.
    Ele deu uma risadinha.
    - Era o que hoje? Dissecação de planárias?
    - Não, diferenciação sexual de lombrigas. – respondi, com uma careta.
    - Ah, isso é fácil. – ele comentou. – O macho é maior do que a fêmea, e mais fino.
    - Diga isso a Mike Newton. – resmunguei, esperando que ele não ouvisse.
    Edward riu e se virou para mim.
    - Ele foi sua dupla?
    Eu assenti.
    - Bom, se eu estivesse lá você não passaria por isso.
    Eu me senti corar e tive que reprimir um sorriso. Meu coração batia desesperadamente – Edward tinha realmente dito o que eu achava que ele tinha dito?
    Ele deve ter percebido a minha reação, porque ficou em silêncio e olhou para frente, parando de caminhar. Estávamos na frente da estante de Literatura Juvenil, abarrotada de livros da Cecily Von Ziegesar, Meg Cabot e Stephenie Meyer. Edward olhou para mim de rabo de olho, como se esperasse alguma coisa, e eu encarei os livros com certo desânimo. Eu já havia tentado ler Gossip Girl e O Diário da Princesa umas duas vezes, mas eu sempre desistia antes do segundo capítulo. E Crepúsculo eu nunca lera, mas a história simplesmente me parecia viajada demais (n/a: NÃO ME MATEM! É a opinião da BELLA, não a minha!!!).
    Olhei para Edward, que continuava me olhando como se esperasse alguma coisa. Virei-me totalmente pra ele e perguntei, sem entender:
    - Você quer algum livro daqui?
    Foi a vez dele de fazer cara de confusão.
    - Achei que essa fosse a sua sessão preferida, ou sei lá o que.
    - Não mesmo! – respondi um pouco alto, e as pessoas ao redor olharam.
    Edward examinou meu rosto com um olhar surpreso e a sombra de um sorriso. Eu olhei para ele, sorrindo também.
    - Que foi?
    - Nada, só... – ele sacudiu a cabeça. – Nada. Então, pra onde?
    - Bom, eu estava atrás de Hawthorne. – comentei, com a voz falhando no final. Por alguma razão, eu me sentia meio envergonhada de falar isso. Quer dizer, quantos adolescentes normais lêem Hawthorne? Eu não queria Edward achando que eu fosse estranha ou qualquer coisa assim, mesmo se eu fosse.
    Mas, para minha surpresa, ele arqueou as sobrancelhas, arregalou os olhos e falou:
    - Se for “A Letra Escarlate”, eu mato você.
    Me senti corar e olhei para o lado.
    - Ainda dá tempo de correr? – perguntei, e Edward deu um risinho. – Agora, sério, por que isso?
    - Porque você deveria ter lido três anos atrás de me contado.
    Olhei para ele com cara de interrogação.
    - Tem três anos que eu procuro alguém que tenha lido direito e esteja a fim de comentar comigo. – ele explicou.
    - Por “ler direito” você quer dizer prestar atenção ao simbolismo do livro?
    - De que outra forma se lê Hawthorne? – Edward perguntou com um risinho de lado. – Então, literatura britânica, né?
    Eu assenti e nós recomeçamos a caminhar, mas no meio do caminho ele parou e se virou para mim.
    - Sabe, eu tenho esse livro em casa. Posso te emprestar, se você prometer cuidar direitinho dele.
    - Abrir menos de quarenta e cinco graus, não marcar as páginas com as orelhas e segurar pelas bordas é o suficiente? – perguntei. Edward arregalou os olhos de novo.
    - Pensei que eu fosse o único obcecado que segurava pelas bordas.
    Eu fiz uma careta.
    - Nada de digitais nos meus livros, obrigada.
    Edward riu.
    - Segunda feira eu levo pra você.
    Eu agradeci e ele olhou no relógio.
    - Melhor a gente ir. Já devem estar esperando a gente.
    Tive que fazer um esforço para não parecer surpresa. Já tinha passado uma hora? Edward começou a caminhar na direção da saída da Livraria e eu o segui.
    - Vou ter que voltar aqui de novo. – ele comentou, mais para ele mesmo do que para mim.
    - Você estava procurando o quê? – perguntei. Ele continuou olhando para frente quando respondeu.
    - O “Morro dos Ventos Uivantes” ou “Jane Eyre”.
    - Alguma razão para essa atenção especial às irmãs Brontë?
    Dessa vez ele olhou para mim e parou de caminhar. Já estávamos quase na entrada da praça de alimentação.
    - Pra quem não gosta de Shakespeare, você é até entendida de Literatura Britânica.
    Meu rosto queimou quando eu lembrei da cena deprimente do refeitório e tentei gaguejar uma explicação enquanto Edward gargalhava.
    - Não é que eu não goste... eu só acho que ele avacalha tudo quando mata todo mundo. Se ninguém fica vivo pra se arrepender, não tem tragédia.
    Edward sacudiu a cabeça e parou de rir.
    - É uma boa observação.
    - Eu tenho meus momentos. – respondi, com um sorrisinho. Ele se aproximou do meu rosto, que corou ainda mais, e eu senti meu coração acelerar.
    - Você fica bonitinha quando está corada, sabia?
    Meus lábios se ergueram em um sorriso involuntário e envergonhando enquanto eu tentava manter o ritmo da respiração. Isso se tornou ainda mais difícil quando ele estendeu o braço timidamente (do meu ponto de vista) e fez menção de tocar eu rosto. Aquilo era inesperado. Parecia que em algum ponto da nossa conversa de hoje alguma coisa tivesse mudado para Edward, como se eu tivesse deixado de ser a garota bobinha da aula de Biologia.
    Eu olhei para ele, analisando seu rosto, prestando atenção à forma como seu cabelo se arrepiava num topete discreto na frente, ou como seu lábio superior era fino, bem mais fino que o inferior. Tive vontade de esticar meu pescoço e beijá-lo. Era a primeira vez em toda a minha vida que eu queria beijar um garoto. Claro, eu já tivera paixonites, mas nenhuma a ponto de me fazer pensar nisso. Esse pensamento me fez corar ainda mais, mas eu não consegui desviar minha atenção de seus lábios.
    Sua mão continuava estendida a poucos centímetros do meu rosto, e ele não parecia interessado em recolhê-la ou esticá-la mais. Seus olhos estavam nos meus e seus lábios estavam meio separados, embora ele não dissesse nada. A vontade de aproximar os meus dos dele aumentou e eu tentei respirar fundo para recuperar o controle.
    Em silêncio, ainda olhando para mim, Edward ergueu seu braço, e seus dedos se aproximaram do meu rosto...
    Mas não chegaram a me tocar, pois Emmett apareceu de lugar nenhum e abraçou Edward pelo pescoço.
    - Se não é o meu priminho! Achei que você seria o último a aparecer aqui! – ele deu uma risadinha e olhou para mim. – E aí, Bella, tudo bom?
    Tudo bom? Eu pensei a respeito. Dois segundos atrás, eu estava tendo um momento. Eu estava estática e esperançosa, sem falar no descompasso incômodo, mas prazeroso nas batidas do meu coração. E agora, graças a interferência dessa criatura que me perguntava se eu estava bem, meu momento nunca seria completo.
    É, Emmett, eu estava ótima. Otimamente frustrada.
    Senti algumas lágrimas de revolta surgirem em meus olhos e tentei fingir que estava só lacrimejando. Ao invés de informar detalhadamente a Emmett como e porque eu estava, eu apenas respondi:
    - Estou ótima.
    Olhei de soslaio para Edward. Ele não parecia incomodado com a interrupção de seu primo. De fato, estava conversando animadamente com ele sobre alguma coisa. Rosalie passou por mim com um sorriso e nós fomos andando por entre as mesas até encontrar Jasper e Alice. Ela piscou pra mim quando me viu e apontou com a cabeça para dois acentos vazios ao lado de Jasper. Rosalie se sentou ao lado dela na mesa redonda e Emmett se sentou ao seu lado. Edward e eu ocupamos as cadeiras restantes.
    Rosalie cochichou algo para Alice e as duas tiveram um acesso de risadinhas olhando para mim, o que me deixou com um pé atrás.
    - Então, Edward - Alice perguntou depois que seu acesso de riso acabou, interrompendo a conversa de Edward e Emmett. –, por que você não foi hoje?
    - Edward Cullen faltou à aula? – disse Emmett, com um choque exagerado. - Vai chover canivetes!
    Edward deu um empurrão em Emmett e se virou para Alice.
    - Eu fui hoje! Só que eu passei a manhã inteira terminando um relatório que alguém não me deixou terminar – ele olhou para Alice e ela deu uma risadinha culpada. – Só pra descobrir que o professor do último horário faltou e eu tenho até quarta que vem pra entregar.
    A mesa inteira riu da situação e eu olhei ao redor. Não havia com o que eu me preocupar. Apesar de eu ter tentado me distrair, a preocupação com minha mãe estivera em minha mente o dia inteiro, e só agora eu conseguia relaxar. A sensação de estar ali, com minha melhor amiga e com Edward, todos rindo animadamente, era contagiante, e eu estava certa de uma coisa: o que quer que acontecesse, eles estariam lá pra me apoiar.

    Capítulo 8

    - Charlie, você se importa se eu dormir aqui hoje? Meus pais estão viajando.
    Se fosse qualquer pessoa perguntando isso, meu pai iria esperar alguns minutos antes de conseguir pensar numa resposta educada e teria me olhado feio o resto da noite por não ter avisado que ia convidar alguém. Mas, naquela hora, tudo o que ele fez foi sorrir tão grande que seus olhos se enrugaram e falar:
    - Claro, Alice, sem problemas.
    Meu pai praticamente idolatrava Alice. As regras eram sempre diferentes com ela. Talvez isso tivesse a ver com o quanto ela me ajudou quando eu passei a morar com Charlie. Alice era minha vizinha, e nós ficamos amigas instantaneamente. Com certeza as noites passadas em sua casa foram um ponto positivo em morar na casa de Charlie. Quando ela mudou, três anos depois, já estávamos próximas o bastante para que isso não atrapalhar.
    Alice sorriu para meu pai e levou seu prato para a pia. Eu terminei de tirar a mesa e nós subimos para meu quarto.
    - Pode começar a falar. – Alice mandou, enquanto puxava a bicama e pegava seus cobertores no armário. Ela vinha tanto aqui que já deixávamos a roupa de cama separada. Na verdade, o motivo da bicama era ela.
    - Falar do quê?
    Alice revirou os olhos e parou o que estava fazendo para olhar para mim.
    - De quais livros estavam em promoção. – ela atirou o travesseiro na minha cara. – Do que você acha?
    Eu ri e atirei o travesseiro na cama.
    - Não teve nada demais. Nós só ficamos conversando.
    - E por isso você estava com aquela cara?
    - Que cara?
    - Cara de “tiraram meu doce”. – ela fez uma careta. – Assim.
    Não consegui segurar uma gargalhada. Ela tinha cruzado os braços, inflado as bochechas e feito um biquinho. Parecia mesmo uma criança que tinha acabado de perder o doce.
    - Alice, eu não estava com essa cara! – respondi, quando consegui parar de rir, e fui para o banheiro escovar os dentes.
    - Estava sim! – ela gritou para mim. – E não parava de olhar para Edward e para Emmett. Parece até que alguém interrompeu alguma coisa.
    Eu engasguei. Como ela fazia isso? Ela sempre sabia tudo!
    Alice começou a gargalhar e entrou no banheiro.
    - Aí, eu sabia que tinha alguma coisa. Agora desembucha.
    - Posso... desengas...gar primeiro? – respondi entre tossidos. Terminei de escovar os dentes, me sentei na cama e contei a ceninha na entrada da praça de alimentação enquanto vestia meu pijama. Só deixei de fora a parte em que eu queria desesperadamente beijar Edward. Alice sorriu abertamente quando eu terminei.
    - Estava muito na cara que tinha alguma coisa. A gente sabia que ia dar nisso.
    - A gente quem? – perguntei, meio esganiçada.
    - Eu e Rose. – ela respondeu, com um sorriso. Eu peguei o travesseiro e escondi minha cara nele.
    - Era o que faltava. Agora Rosalie sabe que eu gosto dele.
    - Falando em gostar dele... – Alice puxou meu travesseiro para baixo e me encarou. – Como você reagiu?
    - Quando?
    - Quando ele quase te beijou, uai!
    Eu fiquei vermelha na hora e escondi meu rosto no travesseiro de novo. Alice começou a rir.
    - Nem preciso dizer nada, né? – resmunguei dentro do travesseiro.
    - Precisa sim. Quero te ouvir dizer! – Alice insistiu. Eu gemi e sussurrei uma resposta.
    - Não ouvi, Bella! – ela insistiu. Resmunguei mais alto:
    - Eu queria.
    - Queria o quê?
    Gemi de novo.
    - Que ele me beijasse.
    Alice gargalhou.
    - Você tá ficando safada, hein?
    - Influência sua! – respondi, erguendo o rosto, e antes que ela pudesse reagir eu bati com o travesseiro na cara dela.
    - Ah, é guerra? – ela gritou e agarrou o próprio travesseiro.
    A “guerra” continuou até que Charlie aparecesse na porta e nos lembrasse que tínhamos dezessete anos, não quatro, e que os vizinhos queriam dormir. Depois disso, nós nos enfiamos debaixo das cobertas e ficamos conversando, mas pouco tempo depois as duas já estavam roncando.
    Acordei no dia seguinte com o telefone tocando.
    Meu primeiro pensamento foi “por que diabos estão ligando tão cedo?”. O segundo foi “pode ser Edward”, o que quase me fez pular da cama. O terceiro foi “Edward não tem meu telefone. É mais provável que seja a mamãe”, e aí eu levantei de vez. Literalmente pulando da cama, para não acordar Alice, eu corri até minha escrivaninha e agarrei o telefone.
    - Residência dos Swan, bom dia.
    - Boa tarde, Bella. – eu estava certa: era minha mãe no telefone, com um tom de voz bem humorado. Fiquei preocupada: ligando duas vezes em dois dias para confirmar uma coisa que já estava confirmada? Aí tem coisa.
    - Acho que você dormiu demais, hein? – minha mãe deu uma risadinha e eu olhei de rabo de olho para o relógio. Meio dia e quinze. Eu estava muito atrasada com o almoço.
    - É, acho que sim. – respondi. – Então, tudo bem?
    - Ah, eu estou ótima! Sabe aquele livro de jardinagem que a irmã de Phil me deu de aniversário? – a voz de mamãe estava super empolgada. - Eu finalmente comecei a ler! Você tem que ver o jardim, Bella, está uma maravilha!
    Definitivamente algo estava errado. Tinha todos os sinais: ligando demais, não querendo deixar recado sobre o assunto, e agora essa empolgação exagerada com algo banal. Resolvi pressionar.
    - Aconteceu alguma coisa pra você estar ligando, mãe?
    A voz dela falhou e ela pigarreou.
    - Eu só queria ter certeza de que você vem semana que vem. – toda a empolgação havia ido embora da voz dela, dando lugar a preocupação.
    - Claro! Já estava marcado, não?
    - Ah, provavelmente. Mas você sabe que eu não faço ideia...
    - ...de onde guardou sua agenda, eu sei. – respondi, com um sorrisinho. Ela riu também.
    - Essa é a minha menina. – ouvi o barulho de alguma coisa estourando do outro lado da linha. – Opa, tenho que ir, Bella. Pus o almoço no micro-ondas (NA: reforma ortográfica sucks), mas alguma coisa deu errado.
    - Você tirou do papel alumínio? – perguntei. Interpretei o silêncio dela como não. – Corre lá então antes que a coisa fique pior.
    - Tchau, Bella, te amo! – ela falou apressada e desligou.
    - Também te amo... – respondi para o bocal do telefone. Coloquei o fone no gancho e fiquei encarando o aparelho. Alguma coisa estava errada. Mordi o lábio. A doença dela não podia ter progredido! Tive um flashback de quando ela havia começado o tratamento. Seu organismo não reagia muito bem aos remédios e ela tinha que ficar na cama de repouso o tempo inteiro.
    Senti meus olhos se umedecerem. Minha mãe era uma pessoa muito ativa, eu sabia o quanto era difícil para ela ficar de repouso. Eu não queria que ela tivesse que passar por isso de novo.
    - Bella? – Alice me chamou, com uma voz rouca de sono. – Era Edward no telefone, dizendo que te ama?
    Dei uma risadinha fraca.
    - Quase isso. Era minha mãe.
    Alice se sentou na cama e esfregou os olhos.
    - Ela falou o que queria?
    - Não, ficou me enrolando que nem Charlie. – resmunguei, e depois olhei para o relógio de novo. – Vou no supermercado comprar coisas pro almoço. Quer ir ou vai ficar aqui?
    - Vou com você. – ela se espreguiçou e levantou da cama. – Vou só trocar de roupa.
    Ela foi para o banheiro se arrastando, e eu sabia que quando voltasse ela estaria animada como sempre. Alice era sempre assim. Eu esfreguei o rosto para limpar as lágrimas e fui me trocar também.
    Conversamos sobre as mesmas bobagens de sempre, mas eu consegui ver que ela estava tentando me distrair. E eu realmente tentei me distrair, mas eventualmente a ideia da minha mãe debilitada deitada numa cama sempre voltava a minha mente e eu tinha que esfregar os olhos. Alice apertava meu braço quando isso acontecia.
    - Você importa de esperar aqui fora? É rapidinho. – perguntei quando chegamos ao supermercado. Eu precisava de um tempo pra pensar. Alice assentiu e se apoiou na parede quando eu entrava. Enquanto eu caminhava pelas prateleiras e escolhia os ingredientes para o almoço, eu pensava na minha mãe. Havia sido difícil vê-la naquela cama, e mais difícil me afastar dela pela primeira vez. A ideia de que poderia ficar pior não era tão animadora.
    Só percebi que estava chorando copiosamente quando a mulher do caixa me encarou com um olhar de pena e perguntou:
    - Está tudo bem, querida?
    Eu assenti e esfreguei o rosto, empacotando as compras. Respirei fundo para tentar controlar as lágrimas e comecei a pensar em coisas animadoras antes de sair.
    Chocolates. Morangos. Boletim cheio de A’s. Alice conversando com Edward.
    HEIN?
    Os dois estavam do outro lado da rua e pareciam compenetrados em sua própria conversa. A mão de Alice estava apertando o braço de Edward e, enquanto eu olhava, ele a abraçou. Entendeu? Edward abraçou Alice!
    O controle que eu havia recuperado foi embora e minhas lágrimas recomeçaram. Sem dizer nada, girei nos calcanhares e tomei a direção de casa. Alice sabia o caminho mesmo.
    Antes que eu andasse meio quarteirão, no entanto, eu ouvi seus passos ruidosos atrás de mim e ela me abraçou por trás.
    - Bella! - ela reclamou, com a voz surpresa. – O que foi isso?
    - Eu pergunto a mesma coisa! – respondi, com a voz um pouco azeda. Alice me soltou e me virou pelos ombros.
    - Você está falando do Edward?
    - Não, dos livros em promoção. – devolvi a piada dela. Não era tão engraçada, no fim das contas, mas mesmo assim ela deu um risinho.
    - Bella, a gente estava só conversando!
    Rolei os olhos.
    - Talvez você estivesse só conversando com ele. Por que você não simplesmente se afasta dele?
    Alice me olhou com a sobrancelha erguida.
    - Ah, deixa de ser besta, Alice! Até parece que você não percebeu o abraço dele. Tá na cara que ele gosta de você!
    Ela arregalou os olhos e deu um passo para trás.
    - Na cara de quem?
    Rolei os olhos e comecei a andar, mas ela me segurou pelo braço.
    - Bella, sério, ele não gosta de mim! – ela falou, séria.
    - Ele achava que você gostava dele, aposto que agora ele gosta de você!
    - Como é? – ela perguntou, os olhos arregalados de novo, depois sacudiu a cabeça. – Tanto faz! Ele não gosta de mim, enfia isso na sua cabeça! Ele estava passando com cara de triste, eu chamei pra conversar e ele estava desabafando! Depois eu dei uns conselhos, ele me abraçou pra me agradecer e você passou furiosa! Foi só isso!
    Não consegui argumentar. Estava tentando absorver o que ela dissera. Ela aproveitou que eu estava sem palavras e me abraçou de novo.
    - Bella, você não acha que essa crise de ciúmes foi meio exagerada?
    - Talvez... – eu sussurrei.
    - Você tem que se acalmar, Bella, tirar esse tanto de coisa da cabeça. - Alice secou meu rosto com as mãos e pegou meus pacotes. – Vamos voltar pra sua casa e fazer o almoço, que eu sei que te relaxa. E depois a gente conversa sobre isso, pode ser?
    Simplesmente assenti e recomecei a caminhar, com ela ao meu lado.
    Minha cabeça estava rodando. Era coisa demais pra processar, e eu ainda não tinha conseguido entender meu ataque patético de ciúmes. Só quando cheguei em casa que eu consegui recuperar minha voz e dizer:
    - Desculpa, Alice. E obrigada.
    Ela simplesmente sorriu e abraçou meu ombro com uma das mãos.

    By: 'Paulinha


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    ''Amares aquele que te matava, deixava-te sem qualquer opção. Como poderias fugir ou lutar, se ao fazê-lo magoarias o teu amor? Se a tua vida era tudo o que tinhas para dar, como recusá-la a alguém que amavas verdadeiramente?” - Amanhecer
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    Re: ´Lápis nº2' - PT

    Mensagem por Katinha Pattinson em Sab Nov 06, 2010 1:12 am

    O Céus que lindo!!!

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    Re: ´Lápis nº2' - PT

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      Data/hora atual: Qui Ago 24, 2017 1:43 pm